Não estamos falando de um roteiro de Hollywood, nem de uma continuação de "Onze Homens e um Segredo". O que aconteceu em Paris, no mundialmente famoso Museu do Louvre, é a prova cabal de que quando o Estado se preocupa mais com narrativas do que com a eficiência, quem paga a conta é a história e o patrimônio da nação.
Três criminosos, em plena luz do dia, executaram um plano audacioso que expôs as fragilidades de um sistema de segurança que deveria ser impenetrável. Eram 9h30 da manhã, apenas trinta minutos após a abertura dos portões para o público, quando a "operação" começou. O alvo? As joias da coroa francesa, peças inestimáveis ligadas ao imperador Napoleão Bonaparte e à Imperatriz Eugênia.
Como engenheiro, analiso a logística: foi um trabalho de precisão cirúrgica contra uma incompetência estatal gritante. Os bandidos utilizaram um elevador de carga montado em um caminhão e uma mini serra elétrica. Escalaram um andaime em uma área que estava em obras — a velha falha de segurança que qualquer gestor de riscos conhece. Vestidos como operários, passaram despercebidos. É o que chamamos de engenharia social básica: se você parece pertencer ao ambiente, ninguém te questiona.
E aqui entra o ponto que precisamos discutir sem medo do politicamente correto. Por que ninguém impediu isso? Por que a segurança falhou tão miseravelmente em um ataque que durou cerca de sete minutos?
A resposta pode estar na gestão. O texto base aponta que a diretora de segurança do Louvre, Dominique Burfan, foi nomeada em um movimento do governo Macron para "quebrar estereótipos", sendo a primeira mulher no cargo. Veja bem, não se trata de questionar a capacidade feminina — isso seria ridículo. O problema é quando a agenda política de "diversidade" se sobrepõe à meritocracia técnica e à exigência implacável por resultados. O governo francês quis fazer um sinal de virtude, mas a realidade se impôs. O resultado prático é que, sob essa gestão focada em símbolos, ocorreu uma falha catastrófica. A narrativa de empoderamento, infelizmente, saiu pela culatra e agora ficará marcada por esse desastre.
O prejuízo é incalculável. Foram levadas peças como a tiara da Rainha Maria Amélia e broches da Imperatriz Eugênia. Curiosamente, deixaram para trás um diamante de 140 quilates, talvez por saberem que seria impossível vender algo tão visado. Algumas peças, como a coroa da Imperatriz Eugênia, foram encontradas danificadas em uma rua próxima, descartadas como lixo durante a fuga. É a destruição da história pela ganância, facilitada pela inépcia.
Esse episódio é um microcosmo do que acontece quando temos um Estado obeso. A França, assim como o Brasil, sufoca seus cidadãos com impostos. O cidadão francês deixa até 60% do que ganha nas mãos do governo. E o que recebe em troca? Serviços públicos em declínio e a incapacidade do Estado de proteger até mesmo seus tesouros mais preciosos dentro do museu mais visitado do mundo.
A função primordial do Estado é garantir a segurança da propriedade e dos indivíduos. Quando ele falha nisso, enquanto cobra fortunas para sustentar sua própria burocracia, o contrato social se rompe. Não é à toa que o sentimento de revolta cresce. Ouve-se em Paris ecos de um sentimento libertário, uma vontade de dizer "fora" a todo esse sistema parasitário que não funciona.
A lição que fica para nós, brasileiros, é clara. Não podemos aceitar que a gestão pública seja tratada como palco para experiências ideológicas. Segurança é coisa séria, exige técnica, rigor e meritocracia, não lacração. Enquanto o Estado continuar inchado, preocupado com a imagem e negligente com a execução, continuaremos vendo nosso patrimônio — seja ele histórico ou o fruto do nosso trabalho — sendo saqueado, seja por bandidos comuns ou pela própria ineficiência da máquina pública.
Precisamos de ordem, de competência técnica e de um Estado que pare de atrapalhar quem produz e comece a fazer o básico bem feito: proteger a sociedade. A realidade, meus caros, não perdoa falhas, não importa quão bonita seja a narrativa que tentaram vender.