A comemoração ruidosa da mídia tradicional sobre a condenação de Jair Bolsonaro expõe uma fratura muito mais profunda na sociedade brasileira. Para muitos, não se trata de uma vitória da democracia, mas da consolidação de um divórcio perigoso: o divórcio entre o Estado e a própria ideia de justiça. O cidadão comum, que trabalha, paga seus impostos e espera que as regras do jogo sejam as mesmas para todos, assiste a um espetáculo onde a Constituição parece ser um detalhe contornável. A sensação que fica não é de alívio, mas de angústia, ao ver o futuro do país ser decidido não pelo debate de ideias, mas pela força de uma caneta que parece ter lado.
A Narrativa da "Democracia Salva"
O impacto dessa decisão vai muito além da carreira política de um indivíduo. Ele afeta a confiança das famílias no sistema que deveria protegê-las. A narrativa oficial, vendida com entusiasmo por jornais e emissoras, é a de que a "democracia foi salva de um golpista". Essa é a "abordagem da solução fácil", que pinta um quadro simplista de bem contra o mal. No entanto, essa versão ignora o elefante na sala: para "salvar" a democracia, foi preciso quebrar suas regras mais fundamentais? O devido processo legal, pilar de qualquer nação livre, foi tratado como um obstáculo a ser contornado para se chegar a um resultado pré-determinado.
A mídia e o sistema criaram um "vilão conveniente", focando todos os seus canhões em um único homem. O objetivo é claro: desviar a atenção do verdadeiro problema estrutural, que é o protagonismo excessivo de um poder judiciário que legisla, investiga e julga, muitas vezes em causa própria. Essa é a "armadilha da personalização", onde se ataca a pessoa para não ter que debater a falha gritante do sistema. Mas a lógica do bom senso nos obriga a questionar: se um partido político entra com uma petição na justiça para contestar um resultado eleitoral, ele está exercendo um direito ou cometendo um crime? Se um cidadão veste a camisa de um político e comete um ato ilegal, a culpa é do político ou do indivíduo? Punir um partido por exercer seu direito de petição, como fez Alexandre de Moraes com o PL, não é, em si, um ataque direto à democracia que se diz proteger?
Após essa desconstrução, a tese central se torna inevitável. O verdadeiro inimigo da democracia brasileira não é um ex-presidente, mas sim o autoritarismo judicial que se disfarça de seu defensor. A raiz do problema é um Supremo Tribunal Federal que, na ânsia de eliminar um adversário político, abriu mão da isenção e atropelou o ordenamento jurídico, criando um perigoso precedente onde o fim justifica os meios.
A Solução: Restaurar a Fundação da Casa
A solução não é complexa, mas exige coragem. É preciso restaurar os princípios da segurança jurídica e da responsabilidade individual. A democracia é como uma casa. O STF, para consertar uma suposta rachadura na parede (Bolsonaro), decidiu dinamitar a fundação (o devido processo legal). A casa agora corre o risco de desabar sobre todos nós. A única saída é reconstruir essa base, garantindo que as leis valham para todos, sem exceção, e que juízes não possam se sentir ofendidos e usar a estrutura do Estado para uma vingança pessoal.
O que se pede ao cidadão não é que vá para as ruas com armas, mas que inicie uma revolução mental. É preciso rejeitar as narrativas simplistas que a mídia repete sem cessar. É hora de questionar ativamente o status quo, de defender os princípios da verdadeira justiça e de entender que a força do bolsonarismo nunca esteve em uma estrutura partidária de cima para baixo, como a do PT, mas em um movimento popular, de baixo para cima, que não desaparecerá com uma assinatura. Eles acham que o jogo acabou, mas para milhões de brasileiros, ele está apenas começando.
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