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sábado, 13 de dezembro de 2025

Lula ataca o Congresso por não conseguir impor sua vontade: o fim da obediência cega e a volta da pauta da anistia

 
Lula ataca o Congresso por não conseguir impor sua vontade: o fim da obediência cega e a volta da pauta da anistia

A realidade política brasileira acaba de nos oferecer um momento de clareza raríssima. O presidente Lula, em um evento recente no Rio de Janeiro, e na frente do próprio presidente da Câmara, Hugo Motta, decidiu verbalizar sua frustração com o Poder Legislativo. Segundo o petista, o Congresso atual possui um "nível baixo" nunca antes visto. Mas, para quem analisa os fatos com a frieza dos números e da lógica, a tradução dessa fala é outra: o "nível" incomoda porque a obediência automática acabou.


O que estamos presenciando não é uma crise de qualidade legislativa, mas sim o colapso de um modelo de governabilidade baseado na submissão irrestrita. Lula, em um ato falho de sinceridade, parece sentir falta do Congresso da época do "Mensalão", aquele que aprovava tudo o que o Executivo mandava, bastando para isso que os recursos fluíssem nas direções certas. Votar com o governo quando se é "amigo" e bem pago é fácil. O difícil, para a atual gestão, é convencer parlamentares a aprovarem medidas impopulares sem a contrapartida da subserviência.


O estopim dessa irritação presidencial tem nome e sobrenome: aumento de impostos. A recente derrota do governo na Medida Provisória que visava elevar a carga tributária foi o balde de água fria nas pretensões do Planalto. Aqui, vale resgatar uma lição histórica fundamental. O Parlamento, como instituição, surgiu na Inglaterra justamente para frear a sanha arrecadatória do Rei João. A função primordial do Congresso é exatamente esta: impedir que o governante de turno resolva seus problemas de gestão enfiando a mão no bolso do cidadão.


Quando o governo opta pelo caminho mais fácil — cobrar mais impostos em vez de cortar seus próprios gastos —, e o Congresso diz "não", o Legislativo está, na verdade, cumprindo seu papel constitucional. A recusa em aumentar tributos não é "baixo nível"; é a defesa do setor produtivo e do orçamento das famílias brasileiras.


A reação do governo a essa derrota expõe uma estratégia política questionável e, diria até, amadora para quem está no poder há tanto tempo. Ao iniciar uma "faxina" nos cargos de indicados do União Brasil e do PP — partidos que votaram contra o aumento de impostos —, Lula comete um erro de cálculo primário. Se essa retaliação tivesse ocorrido no início do mandato, poderia ter gerado temor e alinhamento. Agora, faltando pouco para o início do ciclo eleitoral de 2026, o efeito é inverso.


Deputados e senadores, que operam com a lógica da sobrevivência política, já olham para o futuro. Perder cargos por um ano é um preço pequeno a pagar para se desvincular de um governo cuja popularidade é sustentada por gastos que a economia não comporta. Ao "punir" o centro, Lula não traz esses partidos de volta; ele os empurra definitivamente para a oposição, consolidando sua própria ingovernabilidade. Sem o apoio do centro, a capacidade do governo de aprovar qualquer matéria relevante despenca a zero.


E é aqui que a trama ganha contornos de reviravolta. O chamado "Centrão", longe de aceitar a punição passivamente, prepara o troco. A pauta da anistia aos envolvidos no 8 de janeiro e a restituição dos direitos políticos do ex-presidente Bolsonaro voltaram à mesa com força total. O que antes estava "de molho", agora é visto como a ferramenta ideal para enviar um recado duro ao Planalto: o Executivo não é soberano.


Fala-se nos bastidores sobre um projeto de dosimetria de penas, mas a tendência é que o texto evolua para uma anistia ampla e irrestrita. Não se trata apenas de ideologia, mas de uma demonstração de força institucional contra a tentativa do Executivo de governar via Supremo Tribunal Federal ou via coerção de cargos.


O isolamento político de Lula é visível. Ao perceber que perdeu a capacidade de dialogar com o centro e com o setor produtivo, o presidente guina radicalmente para a esquerda, pregando para convertidos em eventos partidários, como o do PCdoB. O discurso de "nós contra eles", de ricos contra pobres, volta à tona como última trincheira. É a tática de quem não tem mais resultados econômicos para apresentar e precisa inflamar a militância base para não terminar o mandato falando sozinho.


O cenário para 2026 desenha-se complexo. O governo aposta que o dinheiro injetado em programas sociais segurará sua popularidade, mas a conta dos gastos desenfreados chegará na forma de inflação e estagnação, corroendo esse mesmo apoio.


Para nós, cidadãos que defendemos a ordem e a liberdade, a lição é clara. Não podemos cair na narrativa de que um Congresso que bloqueia o governo é "ruim". Pelo contrário, num cenário onde a intenção do Executivo é expandir o Estado e os impostos, a paralisia dessa agenda é a nossa segurança.


A política é como a física: a toda ação corresponde uma reação. A tentativa de Lula de dobrar o Congresso pela força resultou no fortalecimento da pauta da liberdade e da anistia. Que essa situação sirva para despertar nossa consciência: a estabilidade do país não depende da obediência de um poder ao outro, mas da independência de cada um para frear os excessos. A "pecinha" que falta na cabeça da esquerda é entender que governar não é mandar, é convencer. E sem argumentos lógicos, não há convencimento que resista.

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