A transformação de um cidadão comum em réu perante a mais alta corte do país, por ter chamado um de seus ministros de "satanista", escancara uma realidade que muitos se recusam a ver: a liberdade de expressão no Brasil está sob ataque direto, e as instituições que deveriam protegê-la parecem ser as primeiras a desferir os golpes. Este caso não é um ponto fora da curva; é o sintoma de uma doença que corrói os alicerces da nossa democracia, onde a toga se confunde com a coroa e a crítica é tratada como crime. A angústia que o brasileiro sente ao ver o poder sendo usado de forma tão desproporcional é a mesma de quem trabalha duro, paga seus impostos e, no fim do dia, percebe que o Estado, que deveria servi-lo, se tornou um gigante imprevisível e opressor, pronto para esmagar quem ousa levantar a voz.
A jornada de desconstrução da narrativa oficial começa aqui. O impacto deste caso é visceralmente humano: imagine ser arrancado de sua vida, de sua família, e colocado no banco dos réus da Suprema Corte, não por um crime que causou dano real a alguém, mas por uma palavra. A "abordagem tradicional" que nos vendem é a de que tais ações são necessárias para "proteger a democracia" e a "honra das instituições". Apresentam o cidadão que critica como um extremista perigoso, um pária que atenta contra a ordem. Essa narrativa da conveniência cria um vilão conveniente — o cidadão comum — para desviar o foco do verdadeiro problema: o abuso de poder e a total ausência de imparcialidade de quem julga em causa própria. A vítima da ofensa é o mesmo que acusa, investiga e julgará. Que tipo de justiça é essa?
Aqui, a lógica do bom senso entra em campo para demolir essa frágil construção. Se o Brasil é um Estado laico, como a própria Constituição afirma, chamar alguém de "satanista" pode ser considerado crime? Em um país onde a liberdade religiosa (e a de não ter religião) é garantida, ser satanista é, por lei, uma possibilidade lícita. Como, então, a atribuição de uma característica lícita pode ser a base para uma acusação criminal, ainda mais uma que mobiliza a estrutura caríssima da Suprema Corte? Não faz sentido. E mais: qual a lógica de imputar a este mesmo cidadão crimes como tentativa de abolição do Estado e organização criminosa? Organizaram-se para xingar um ministro? É uma acusação que beira o ridículo, mas que serve a um propósito claro: inflar a pena e intimidar a população. Fica evidente que não se trata de justiça, mas de uma demonstração de força. Para não enxergar a dissonância cognitiva aqui, parece que falta uma pecinha na cabeça.
A tese central, portanto, se impõe como a única conclusão lógica e inevitável: estamos diante da vulgarização do direito e da instrumentalização do Poder Judiciário para fins de perseguição política e blindagem de seus membros. O verdadeiro inimigo não é o cidadão que usa uma palavra de baixo calão ou uma ofensa, por mais tola que seja. A verdadeira ameaça é um sistema onde a lei é flexibilizada para proteger os poderosos e punir os críticos, onde a liberdade de expressão é tratada como um privilégio concedido pelo Estado, e não como um direito fundamental do indivíduo. O STF, ao se ocupar de julgar um xingamento, enquanto problemas reais assolam o país, se diminui e gasta o dinheiro público com o que não deveria ser sua prioridade.
A solução para esse descalabro não virá de leis mais duras ou de mais poder para o Estado. Pelo contrário, a solução está em resgatar princípios básicos: liberdade de expressão como pilar inegociável, responsabilidade individual e, acima de tudo, o fim do foro privilegiado e da capacidade de um juiz julgar um caso em que ele é a própria vítima. A analogia é simples: imagine um jogo de futebol onde o jogador que sofreu a falta é também o juiz que apita o pênalti. Alguém acreditaria na lisura desse resultado? É exatamente isso que ocorre hoje na nossa mais alta corte. A conclusão, portanto, é uma chamada para uma revolução mental. É um convite para que cada cidadão rejeite as narrativas simplistas que a mídia tradicional tenta impor, questione o status quo e defenda ativamente os princípios da liberdade. Não podemos aceitar que o medo cale a nossa voz. A defesa da democracia começa com a defesa do direito de criticar, mesmo que a crítica seja dura, ácida ou, para alguns, ofensiva.
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