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quinta-feira, 28 de agosto de 2025

A régua da Justiça tem dois pesos e duas medidas quando o assunto é racismo no Brasil?

 


A indignação seletiva se tornou uma realidade concreta e inegável na vida do cidadão brasileiro. Diariamente, as famílias assistem a um espetáculo desconcertante: a balança da justiça parece pesar de forma diferente, dependendo de quem está sendo julgado. Uma palavra, uma frase ou um gesto podem selar o destino de uma pessoa comum ou de um opositor político, resultando em cancelamento social e processos judiciais implacáveis. Para outros, no entanto, declarações abertamente preconceituosas são tratadas como meros "deslizes" ou "falas tiradas de contexto". Essa discrepância não é apenas uma questão de debate político; ela corrói a confiança nas instituições e planta na sociedade a semente perigosa da percepção de que a lei não é, de fato, para todos. O sentimento de angústia que isso gera é o reflexo de um país que anseia por coerência e se vê diante de um sistema de pesos e duas medidas.

O episódio mais recente a expor essa fratura moral envolve a mais alta figura do Executivo. Ao relatar sua insatisfação com a imagem do Brasil projetada no exterior, o presidente descreveu a capa de uma revista que continha a foto de uma mulher branca, "bonitona", de ascendência europeia, e, ao lado dela, "um senhor negro alto, sorrindo, sem nenhum dente". A crítica presidencial não se ateve à pobreza ou à falta de cuidado com a saúde bucal, mas culminou na pergunta retórica a um assessor: "Isso é fotografia para você colocar representando o Brasil no exterior, um cara sem dente e ainda negro?". A frase, por si só, é devastadora. A reação de seus apoiadores, no entanto, seguiu um roteiro previsível, que podemos chamar de "a abordagem da conveniência". Imediatamente, a narrativa oficial se concentrou em duas frentes: acusar a oposição de "editar o vídeo" e afirmar que a fala, na verdade, era uma "crítica ao preconceito".

Esta análise, no entanto, não resiste à lógica mais básica. A narrativa predominante, replicada por uma parcela da mídia e por intelectuais alinhados, cria um vilão conveniente: a "extrema-direita" que manipula informações para criar "fake news". O objetivo dessa manobra é desviar o foco do conteúdo da declaração para a forma como ela foi divulgada. Mas a lógica do bom senso nos obriga a fazer algumas perguntas. Por que a imagem da mulher branca, com "bochecha bem vermelha", também um claro estereótipo, não foi alvo de nenhuma crítica? Por que o fator "e ainda negro" foi apresentado como um agravante, um problema adicional à falta de dentes? Se a intenção era denunciar o preconceito de quem publicou a foto, por que a sua própria fala reforça a ideia de que a imagem de um homem negro é inadequada para representar o país? E a pergunta mais importante: se qualquer outro cidadão, ou, mais especificamente, um adversário político, proferisse exatamente as mesmas palavras, a reação seria uma busca por contexto ou uma condenação sumária por crime de racismo, que, segundo a lei, é inafiançável e imprescritível?

A conclusão lógica e inevitável é que o problema não é a edição do vídeo, que, mesmo em sua versão completa, não altera o cerne da declaração. A tese central que se impõe é a existência de uma blindagem política e midiática que protege aliados e aniquila oponentes. O verdadeiro inimigo aqui não é um partido ou uma ideologia, mas a hipocrisia como método de ação política. É a normalização do "dois pesos, duas medidas", que destrói o princípio fundamental de que todos são iguais perante a lei.

A solução para esse mal não está na criação de mais leis ou na intensificação da vigilância sobre o que as pessoas dizem, mas na aplicação consistente e imparcial das leis que já existem. O princípio que deve ser resgatado é o da isonomia, da igualdade de tratamento. A situação pode ser comparada a um árbitro de futebol que apita o jogo com dois livros de regras diferentes, um para cada time. Uma partida assim não é um esporte, é uma fraude. O resultado já é conhecido antes mesmo de começar. Da mesma forma, uma sociedade onde a justiça depende da filiação política do acusado não é uma democracia, é o prelúdio do autoritarismo.

Portanto, a chamada à ação aqui não é para protestos ou manifestações, mas para uma revolução mental. Cabe a cada cidadão ativar seu próprio "detector de hipocrisia". É preciso rejeitar as narrativas simplistas que nos são oferecidas e começar a questionar o status quo. A defesa da liberdade e da justiça começa quando exigimos que a mesma régua seja usada para medir as ações de todos, sem exceção. Apenas assim poderemos aspirar a ser um país onde o caráter de um homem vale mais do que sua lealdade política.

#DoisPesosDuasMedidas #HipocrisiaPolitica #JustiçaParaTodos

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