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quinta-feira, 28 de agosto de 2025

China Prioriza Soja Americana e Deixa Brasil Falando Sozinho: O Fim da Ilusão do BRICS?

 


A notícia de que a China ampliará a compra de soja dos Estados Unidos caiu como um balde de água fria nos produtores brasileiros e expôs uma realidade inconveniente para o governo: no jogo da geopolítica e do comércio global, discursos ideológicos e alianças de papel valem muito pouco. Para o cidadão comum, que depende da força do agronegócio para ver a economia girar, a sensação é de que o país está sendo deixado para trás, pagando o preço de uma teimosia diplomática que não traz resultado prático algum. A aposta de que o bloco BRICS seria a grande alternativa para as exportações brasileiras, especialmente diante das tensões com os Estados Unidos, se mostra, na prática, uma aposta furada. Enquanto o Brasil compra a briga, nossos "parceiros" fecham negócio com o outro lado.

Vamos desconstruir a narrativa oficial, que podemos chamar de "a ilusão do Sul Global". A ideia vendida é que o Brasil, ao lado de China, Rússia e outros, estaria construindo uma nova ordem mundial, menos dependente do dólar e do poder americano. Nessa fantasia, os laços ideológicos e as notinhas de repúdio contra as políticas tarifárias dos EUA seriam suficientes para garantir mercados para nossos produtos. A realidade, no entanto, é bem mais dura. A China, líder do bloco e suposta grande aliada, não hesitou em negociar diretamente com os americanos para garantir o seu abastecimento. A cooperação sino-americana na soja foi defendida abertamente pelo embaixador chinês em Washington, que classificou os dois países como "parceiros naturais". O recado é claro: negócios são negócios, e a China depende muito mais do mercado americano do que de qualquer promessa feita ao Brasil.

A visão predominante, muitas vezes repetida sem o devido senso crítico, tenta criar um vilão conveniente: o protecionismo americano. A culpa, segundo essa lógica, seria de Donald Trump e de suas políticas que "coagem" o Brasil. Mas essa é uma análise superficial. Ela desvia o foco do verdadeiro problema: a incapacidade do governo brasileiro de negociar de forma pragmática e colocar os interesses do país acima de picuinhas ideológicas. Cabe aqui uma série de questionamentos lógicos: se a China realmente condena as políticas americanas, por que corre para fechar acordos com eles? Se o BRICS é uma aliança tão sólida, por que um membro negocia em segredo, passando a perna no outro? Faz sentido o Brasil comprar brigas que não são suas, em nome de uma aristocracia socialista europeia e de outros interesses que em nada beneficiam o povo brasileiro, apenas para ficar isolado no final?

A tese central que se impõe após essa análise é que o Brasil se tornou um peão no tabuleiro internacional. A política externa atual, movida por um antiamericanismo anacrônico, nos coloca em uma posição de extrema vulnerabilidade. O verdadeiro inimigo do produtor brasileiro não está em Washington, mas em Brasília. É a teimosia em não admitir erros, como a insistência em processos políticos questionáveis que travam o diálogo, e a ingenuidade de acreditar em "clubinhos" de ditaduras fracassadas, que nos leva a perder oportunidades concretas. Enquanto o governo brasileiro usa o dinheiro público para financiar narrativas e atacar adversários, o mundo real, o mundo dos negócios, segue em frente, e quem não se adapta, fica para trás.

A solução é abandonar a fantasia ideológica e adotar o princípio do realismo diplomático. A política externa de uma nação do tamanho do Brasil não pode ser pautada por simpatias pessoais de um governante ou por alinhamentos automáticos com quem quer que se declare "anti-imperialista". É preciso negociar com todos os grandes mercados, principalmente com o maior consumidor do mundo, os Estados Unidos. A analogia é simples: a diplomacia não é uma roda de amigos, é um mercado global. Você não deixa de vender seu produto para o melhor cliente porque não gosta do gerente da loja dele. Continuar nessa rota é condenar o Brasil à irrelevância e transferir a conta, como sempre, para o cidadão. A mudança necessária não é de parceiros, mas de mentalidade: é preciso parar de pensar como militante e começar a agir como estadista, defendendo os interesses do Brasil e de mais ninguém.

#Geopolítica #Agronegócio #BRICS

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