Imagine que você se envolve em uma discussão no trânsito. Em vez de o caso ir para um juiz comum na sua cidade, ele vai direto para Brasília, para ser decidido pelos ministros da mais alta corte do país. E tem um detalhe: o ministro que vai te julgar é exatamente a pessoa com quem você discutiu. Parece um roteiro de filme de tribunal de quinta categoria, mas é o que está acontecendo agora no Brasil com o caso de Eduardo Tagliaferro.
A Primeira Turma do STF acaba de formar maioria para tornar Tagliaferro réu. O crime? Ter vazado informações que, na verdade, mostram como o sistema funcionava nos bastidores — uma denúncia de claro interesse público. Mas o que choca qualquer pessoa com o mínimo de bom senso não é apenas a acusação, mas o método. Tagliaferro não é político, não tem cargo de chefia em Brasília, não tem o chamado foro privilegiado. Pela nossa lei, ele deveria estar sendo julgado por um juiz de primeira instância.
O que vemos aqui é a criação do "foro por prerrogativa da vítima". Como o alvo das críticas ou do vazamento foi o próprio STF, eles decidiram que eles mesmos devem julgar. É o fim da imparcialidade. Quando o juiz se confunde com a vítima, o devido processo legal é jogado no lixo. E por que essa pressa toda? A lógica é clara: eles precisam condenar rápido para tentar viabilizar processos de extradição ou evitar que a justiça de outros países, como a da Itália, perceba que o que temos aqui é perseguição política, e não um processo jurídico sério.
Mas o cerco não para por aí. Eduardo Bolsonaro também está na mira e, sejamos francos, alguém duvida que ele será tornado réu? O crime apontado é "traição à pátria" por ter criticado o governo brasileiro em conversas com autoridades estrangeiras, como Donald Trump. É a maior demonstração de hipocrisia que já vi. O PT passou décadas viajando o mundo para falar mal do Brasil sempre que não estava no poder, recorrendo à ONU e a governos estrangeiros. Naquela época, era "liberdade de expressão" e "defesa da democracia". Agora, quando a direita faz o mesmo — e com fatos reais sobre abusos de autoridade —, vira crime contra o Estado.
O sistema está encastelado. Eles perceberam que perderam o controle sobre o que o povo pensa. Antigamente, a grande mídia filtrava tudo; hoje, a internet permite que eu e você analisemos os dados diretamente. A reação deles é o desespero. Estão tentando regular redes sociais e já falam em "regular" a inteligência artificial, porque não suportam a ideia de uma população que troca informações sem pedir permissão para um "comitê da verdade".
Enquanto isso, em eventos como o "Gilmarpalooza" na Argentina, ministros destilam preconceito contra líderes que foram eleitos pelo voto popular, como Milei e o próprio Bolsonaro, tratando-os como se fossem anomalias. Eles não entendem que essas figuras são apenas o reflexo de um povo que cansou de ser sustentáculo de uma elite aristocrática que se acha dona da verdade.
A solução para o Brasil não virá de quem está tentando dobrar as leis para se manter no poder. A solução está na volta à ordem, no respeito ao juiz natural e na liberdade de expressão sem amarras. Precisamos de um Estado que sirva ao cidadão, e não de cidadãos que vivam com medo do Estado.
O sistema pode até ganhar algumas batalhas no canetaço, mas a realidade é implacável. Quanto mais eles batem, mais deixam claro que falta uma "pecinha" na engrenagem desse autoritarismo para que ele pareça legítimo. A mudança é inevitável porque a verdade, uma vez descentralizada, não aceita mais mordaças. É hora de pararmos de aceitar narrativas prontas e começarmos a exigir que a Constituição seja cumprida, e não interpretada conforme a conveniência de quem veste a toga.
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