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domingo, 14 de dezembro de 2025

O Delírio do "Pós-Bolsonaro": Por Que a Esquerda Comemora o Que Não Existe

 
O Delírio do "Pós-Bolsonaro": Por Que a Esquerda Comemora o Que Não Existe

Por Altieres Adnan Moreira


Existe uma máxima na engenharia que levo para a vida: se a fundação permanece intacta, as rachaduras na pintura são apenas detalhes estéticos. No entanto, ao olharmos para o cenário político atual, a extrema esquerda parece ter ignorado completamente essa lógica elementar. Eles estão encantados, vivendo um sonho lúcido sobre o que chamam de era "pós-Bolsonaro". A narrativa que tentam emplacar é a de que o ex-presidente acabou e que a direita está vagando sem bússola.


Como analista que preza pelos dados e rejeita o pensamento de manada, preciso ser direto: a esquerda pode tirar o cavalinho da chuva. O que eles enxergam como o fim é, na verdade, apenas uma reorganização de forças.


A Cortina de Fumaça da Fragmentação


É inegável que existem ruídos. A mídia tradicional, sempre ávida por decretar o óbito do conservadorismo, aponta para as brigas entre Ronaldo Caiado e Ciro Nogueira, ou para as disputas de ego entre influenciadores digitais, como prova de que o movimento ruiu. O fato é que, sem Bolsonaro na cadeira da presidência, as discordâncias que antes eram contidas pela autoridade do cargo agora vêm à tona.


Mas vamos aos fatos. Qualquer nome que surja — seja Tarcísio de Freitas, Eduardo Bolsonaro, Ratinho Júnior ou Caiado — enfrentará questionamentos. A única unanimidade, o único ponto de união inquestionável, continua sendo Jair Bolsonaro. Mesmo inelegível, ele é o fiel da balança. O governador Tarcísio, com a visão pragmática de quem entende de gestão, sabe disso: sem o apoio do capitão, a candidatura é inviável. Já Caiado parece insistir em uma tese de candidatura própria que, convenhamos, soa mais como uma estratégia para manter a máquina partidária e os recursos de campanha girando do que uma chance real de vitória, visto que seus números de engajamento nas redes (0,37%) são irrelevantes perto da força de nomes como Michelle Bolsonaro.


O Perigo do "Fogo Amigo" e a Estratégia Suicida


Aqui entra uma crítica necessária, pois a lealdade à verdade exige apontar os erros do nosso próprio lado. Existe uma infantilidade perigosa em parte da direita que busca o "engajamento de treta". Brigas públicas entre figuras importantes e influenciadores geram visualizações rápidas, sim. O ser humano, infelizmente, é atraído pela baixaria. Mas essa é uma visão de curto prazo que compromete a estabilidade do longo prazo.


A tese defendida por alguns, de lançar múltiplos candidatos no primeiro turno para garantir um segundo turno contra Lula, carrega um risco calculado, mas alto. Se essa disputa se transformar em um tiroteio onde um candidato da direita destrói a reputação do outro para subir nas pesquisas, a reconciliação no segundo turno pode se tornar impossível. A unidade não é apenas um desejo; é uma necessidade matemática para derrotar o projeto de poder da esquerda.


Além disso, houve um erro tático grave: o silêncio de Bolsonaro. Ao não comparecer a podcasts autorizados até mesmo por Alexandre de Moraes, abriu-se um vácuo que permitiu que narrativas de divisão crescessem. Quem não se comunica, deixa que os outros contem a história por você.


A Ilusão da Força de Lula


Do outro lado, temos um Lula que a imprensa tenta pintar como favorito absoluto. É verdade que ele vive um "momento" favorável, impulsionado pontualmente pela queda na inflação dos alimentos. Mas a realidade econômica é cíclica e a "fotografia do momento" muda. O tão esperado "Efeito Canadá" — onde ataques da oposição fortaleceriam o governo — não aconteceu como planejado.


Ironicamente, a desunião da direita tem empurrado Lula ainda mais para a esquerda, para agradar sua base radical. E isso é uma excelente notícia. Quanto mais Lula se radicaliza, mais ele se afasta do brasileiro médio, que preza pela ordem, pela família e pela liberdade econômica.


Conclusão: A Realidade se Sobrepõe à Torcida


A esquerda aposta que a direita chegará em 2026 estraçalhada. Eles esquecem que o antipetismo e a defesa da liberdade são cimentos muito mais fortes do que as divergências partidárias. Bolsonaro já sinalizou que em janeiro definirá os rumos. Até lá, a ansiedade da esquerda em decretar o fim da oposição é apenas a manifestação do medo de quem sabe que não vence no campo das ideias.


A solução para a direita não é mágica, é engenharia política: foco na estrutura e não no acabamento. É preciso cessar o fogo amigo, entender que a viabilidade eleitoral depende da transferência de votos de Bolsonaro e, acima de tudo, preparar o terreno para uma união pragmática no segundo turno.


Precisamos de uma revolução mental. Pare de consumir a narrativa de que "está tudo acabado" e comece a olhar para os fundamentos. A casa da direita pode estar barulhenta, mas os alicerces são sólidos. Já a do vizinho, embora silenciosa agora, foi construída sobre a areia movediça do populismo e da mentira econômica. E nós sabemos o que acontece quando a maré sobe.

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