Minha análise sempre parte de um princípio inegociável: a realidade se sobrepõe à narrativa. E a realidade que chega da Bolívia hoje traz um misto de alívio e alerta. As urnas falaram, e o resultado oficial, com 97% dos votos apurados, confirma a derrota da esquerda. Rodrigo Paz venceu Jorge Quiroga no segundo turno — ou balotagem, como dizem por lá — com um placar de aproximadamente 54% a 45%.
À primeira vista, o cidadão de bem respira aliviado. Afinal, qualquer cenário onde a esquerda e seus aliados do Foro de São Paulo são derrotados já é um começo. O simples fato de tirar o controle da máquina pública das mãos de quem defende o Estado inchado e controlador é uma vitória. No entanto, como engenheiro acostumado a olhar a estrutura e não apenas a fachada, preciso ser franco com vocês: essa vitória tem rachaduras na fundação.
A Síndrome da "Direita Permitida"
O Brasil conhece bem esse filme. Rodrigo Paz, o vencedor, representa o que a análise política séria chama de "direita permitida". É aquela direita que pede licença para existir, que tem medo de se posicionar com firmeza e que, no final das contas, acaba sendo apenas uma versão mais cheirosa da social-democracia. Se fizermos um paralelo com a nossa política nacional, Paz seria o equivalente ao PSDB ou a figuras como Ronaldo Caiado: é direita, mas não muito. É o tal do "centro", a terceira via que tenta agradar a todos e, muitas vezes, não resolve o problema de ninguém.
Do outro lado, tínhamos Jorge Quiroga. Esse, sim, representava uma direita de verdade, alinhada com princípios de liberdade econômica real e segurança pública firme, nos moldes do que vemos com Bukele em El Salvador ou Donald Trump nos Estados Unidos. A diferença de postura entre os dois é gritante e diz muito sobre o que esperar do futuro vizinho.
Diálogo com o Atraso ou Aliança com a Prosperidade?
A geopolítica não perdoa indecisão. Enquanto Quiroga deixava claro que cortaria relações com Lula e buscaria inspiração direta nos princípios de Trump, Rodrigo Paz já sinalizou que quer ser "pragmático". Ele fala em manter o diálogo com o atual governo brasileiro. Aqui, a gente vê aquela velha ingenuidade — ou seria conveniência? — de achar que é possível sentar à mesa e negociar o futuro de uma nação com quem defende o atraso ideológico.
Para quem entende de estratégia, a postura de Quiroga seria muito mais benéfica para a região. Trump está claramente desenhando um novo mapa de influência na América Latina, trazendo países como Paraguai e Argentina para o lado da liberdade. A Bolívia tinha a chance de entrar de cabeça nesse bloco. Com Paz, o risco é ficarmos no meio do caminho.
O Perigo do "Neoliberalismo" Envergonhado
O texto da realidade boliviana nos mostra uma discussão curiosa sobre o "neoliberalismo". A esquerda, com sua hipocrisia habitual, demoniza o termo. Mas a verdade, nua e crua, é que o tal neoliberalismo muitas vezes não passa de um liberalismo atenuado, diluído para não ofender as "causas sociais". É o remédio na dose errada: não cura a doença econômica e ainda deixa o paciente reclamando do gosto.
O risco real de Rodrigo Paz é repetir o erro de Mauricio Macri na Argentina. Ao tentar governar sem a coragem necessária para fazer as reformas profundas e cortar na carne o gasto estatal, ele pode acabar apenas "guardando o lugar" para a esquerda voltar com ainda mais força na próxima eleição. Política não é lugar para quem quer ser amado por todos; é lugar para quem tem a coragem de fazer o que é certo. Tentar a "pacificação" com quem destruiu o país é receita para o desastre.
A Esquerda se Anulou (Literalmente)
Um ponto interessante desse processo foi o comportamento da esquerda raiz boliviana. Evo Morales, o "Lula deles", impedido de concorrer, apostou no caos e pediu voto nulo. A estratégia foi um tiro no pé. A esquerda se anulou, fragmentou-se e permitiu a ascensão da oposição. Isso prova que, quando a população tem informação e a máquina de narrativas falha, o projeto de poder totalitário desmorona.
Conclusão: O Preço da Liberdade é a Eterna Vigilância
O cenário final é positivo, mas exige cautela. Temos menos um aliado incondicional do petismo no comando de um país vizinho. A América Latina vê o cerco se fechar contra as ditaduras e os governos socialistas falidos. Brasil, Colômbia e Chile vão ficando isolados nesse bloco do atraso.
Porém, fica a lição: não basta vencer a esquerda. É preciso colocar no lugar alguém com a "pecinha" no lugar certo, alguém que entenda que ideologia não põe comida na mesa, mas a ideologia errada tira. Torcemos para que a Bolívia não tenha apenas trocado um desastre por uma decepção. Que a liberdade avance, mesmo que a passos lentos, porque o retrocesso nós já conhecemos bem e não aceitamos mais.
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