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domingo, 14 de dezembro de 2025

A Indústria do Conflito: A Narrativa da Apropriação Cultural Tenta Destruir a Tradição Gaúcha

 
A Indústria do Conflito: A Narrativa da Apropriação Cultural Tenta Destruir a Tradição Gaúcha

Imagine a seguinte situação: você é acusado de usar um desenho geométrico em sua roupa e, por isso, é rotulado como alguém que está roubando a cultura de outro povo. Para resolver o problema e evitar confusão, você decide parar de usar o tal desenho. A reação imediata dos seus acusadores? Eles gritam que agora você está promovendo o "apagamento histórico" daquela cultura.


Parece um roteiro de comédia ruim ou um labirinto sem saída, mas é exatamente o que está acontecendo no Rio Grande do Sul. E é aqui que eu digo: para entender essa lógica da esquerda, parece que falta uma pecinha na cabeça de quem cria essas narrativas.


A polêmica envolve os Centros de Tradição Gaúcha (CTGs), instituições que preservam com orgulho a história, a gastronomia e os costumes do povo do Sul. Recentemente, ativistas e acadêmicos levantaram a bandeira da "apropriação cultural", acusando os tradicionalistas de usarem em suas indumentárias (a pilcha) grafismos e trançados típicos dos indígenas da etnia Kaingang. Segundo a narrativa, ao incorporar esses adornos, o gaúcho estaria "roubando" a identidade indígena sem o devido reconhecimento ou pagamento.


Vamos aos fatos e à lógica, ferramentas que a engenharia me ensinou a valorizar e que parecem estar em falta nos departamentos de ciências humanas das universidades.


Não existe cultura pura. A história da humanidade é uma história de cópia, adaptação e aperfeiçoamento. A própria cultura portuguesa, base da nossa colonização, é um amálgama. Ela nasceu da mistura de visigodos, celtas, romanos e muçulmanos que passaram pela Península Ibérica. Quando essa cultura chegou ao Brasil, misturou-se aos indígenas locais, aos africanos e, mais tarde, a imigrantes alemães e italianos — muito presentes no Sul. O que chamamos de "cultura gaúcha" é o resultado vivo dessa mistureba histórica.


Querer aplicar o conceito de propriedade intelectual a padrões culturais centenários é um erro crasso. É como dizer que um indígena hoje não pode usar calça jeans porque isso seria apropriação cultural da cultura ocidental ou americana. É uma via de mão única que serve apenas para segregar.


O mais revelador dessa história toda, no entanto, é a hipocrisia do método. Quando os CTGs, cansados da acusação, decidiram vetar o uso de figuras geométricas contínuas que lembravam a arte Kaingang para respeitar o pedido, a narrativa mudou instantaneamente. Os mesmos grupos que gritavam "apropriação" passaram a reclamar que a remoção dos símbolos era uma forma de "abafar" a cultura indígena.


Percebem a armadilha? Se usa, é apropriação. Se não usa, é exclusão. O objetivo nunca foi proteger os índios ou valorizar a cultura. O objetivo é criar o caos, dividir a sociedade e justificar a existência de teses acadêmicas e financiamentos para ONGs e ativistas que precisam inventar problemas para vender soluções inexistentes.


A realidade é que a cultura indígena faz parte da formação do povo gaúcho, assim como a europeia. Ninguém está impedindo os indígenas de celebrarem suas tradições ou de criarem seus próprios centros culturais. Pelo contrário, a integração desses símbolos na vestimenta gaúcha era, na prática, uma homenagem silenciosa e orgânica à formação do estado.


Essa mentalidade de "nós contra eles", típica da esquerda, tenta transformar cada interação humana em uma disputa de poder. Eles ignoram que a evolução humana acontece justamente quando trocamos experiências, quando aprendemos uns com os outros. Tentar congelar a cultura e colocar etiquetas de propriedade em comportamentos coletivos é uma atitude retrógrada.


O que vemos no Sul é um microcosmo do que acontece no Brasil: uma tentativa forçada de reescrever a história e criar dívidas impagáveis apenas para manter a população em estado de guerra permanente.


A solução é simples e passa pela liberdade. A cultura não pertence ao Estado, nem a burocratas, nem a fiscais de costumes de plantão. Ela pertence às pessoas. Se queremos um país próspero e unido, precisamos rejeitar essas pautas que servem apenas para nos dividir. Valorize a tradição, respeite a história, mas não caia no conto do vigário de quem lucra com o conflito.


Precisamos de uma revolução mental. Pare de aceitar definições que não fazem sentido lógico. Questione quem ganha quando um povo se volta contra sua própria história. A liberdade de ser quem somos, com todas as nossas influências e misturas, é inegociável.

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