Se você acha que o Brasil tem o monopólio de políticos criando leis que, na prática, só servem para atrapalhar a vida de quem produz e trabalha, tenho uma péssima notícia: a estupidez econômica não respeita fronteiras. O que está acontecendo agora na Espanha é um estudo de caso perfeito sobre como a interferência estatal, vestida com a roupa bonita da "justiça social", acaba destruindo exatamente aquilo que promete proteger.
Vamos direto ao ponto, com a frieza dos fatos que minha formação em engenharia exige. O governo espanhol aprovou uma nova lei de aluguéis que é um verdadeiro atentado à lógica de mercado. A regra é a seguinte: se o contrato de aluguel chegar ao fim e o proprietário e o inquilino não entrarem em acordo sobre o novo valor ou condições, o inquilino ganha o direito de continuar morando no imóvel. É isso mesmo. O contrato acaba, mas a obrigação do dono de ceder sua propriedade continua.
Para qualquer pessoa que tenha o mínimo de bom senso — ou, como gosto de dizer, que não "coma cocô no café da manhã" —, a pergunta imediata é: quem, em sã consciência, vai colocar um apartamento para alugar sabendo que pode perder o controle sobre o próprio imóvel por anos a fio?
A narrativa da esquerda, claro, é sedutora. Eles vendem a ideia de que estão protegendo o "lado mais fraco". Pintam o proprietário como um milionário ganancioso e o inquilino como uma vítima indefesa. Mas falta uma "pecinha na cabeça" de quem acredita nessa caricatura. A realidade é que, muitas vezes, o dono do imóvel é um cidadão comum, alguém que herdou um apartamento ou investiu a vida toda em um bem para complementar a renda. Conheço casos de pessoas que alugam seu único imóvel para poder pagar um aluguel mais barato em outro lugar e viver da diferença. Essas pessoas não são magnatas; são brasileiros — ou espanhóis — tentando sobreviver.
Ao impor essa regra, o Estado cria um risco incalculável. A lei não cria casas; a lei impõe custos. E em qualquer relação econômica, quando você aumenta artificialmente o risco, a oferta desaparece. Meu próprio pai passou por isso: teve uma experiência ruim com um inquilino e decidiu nunca mais alugar. O imóvel ficou fechado. Agora, imagine isso em escala nacional na Espanha. Com o medo de não conseguir reaver a propriedade, os donos vão retirar seus imóveis do mercado ou vendê-los.
O resultado? Escassez. E o que acontece quando a oferta de um produto cai drasticamente enquanto a demanda (pessoas querendo morar) continua a mesma? O preço explode. É a lei da oferta e da demanda, uma lei que nenhum político, por mais "bem-intencionado" que seja, consegue revogar.
Além disso, essa medida incentiva indiretamente movimentos como os "Ocupas" — versões espanholas e portuguesas do nosso MTST —, que invadem propriedades privadas sob a justificativa de necessidade. Já existem relatos em Portugal e na Espanha de pessoas que pagam três meses de aluguel e ficam anos sem sair, ou que invadem casas e jardins privados, deixando os verdadeiros donos de mãos atadas. A nova lei só joga mais gasolina nessa fogueira, validando a ideia de que a propriedade privada é relativa.
Mas por que os políticos fazem isso? A resposta é cinismo puro. Eles fazem uma conta simples: existem mais inquilinos (eleitores) do que proprietários. Ao aprovar uma lei populista como essa, eles garantem o voto imediato da massa que acredita estar sendo protegida. O político ganha a eleição hoje, e a conta da falta de moradia e dos aluguéis caríssimos só chega amanhã. Eles não estão preocupados se você vai ter onde morar daqui a dois anos; eles estão preocupados em garantir o cargo deles agora.
Já vimos esse filme em Berlim, vimos em Buenos Aires. O controle de preços e a intervenção nos contratos sempre resultam em desabastecimento. A parte mais fraca — aquele jovem que quer sair da casa dos pais, o casal recém-casado — é quem vai pagar a conta, encontrando um mercado sem opções e com preços proibitivos.
A lição é clara: a segurança jurídica e o respeito aos contratos são a única via para a prosperidade. Quando o Estado tenta ser o "pai" de todos, ele acaba sendo o algoz do futuro. Não se deixem enganar por discursos bonitos. A realidade sempre cobra seu preço.
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