O que acontece quando o Estado, inchado e corrupto, falha de forma tão catastrófica que mata seus próprios cidadãos? A resposta está sendo escrita nas ruas da Sérvia desde o final do ano passado, mas a história é um espelho desconfortável para o Brasil. A realidade, como sempre, se sobrepõe à narrativa.
Tudo começou quando a marquise de uma estação de trem recém-inaugurada na cidade de Novissad desabou, matando 16 pessoas. Isso não foi um acidente ou uma fatalidade; foi o resultado direto da corrupção. Uma obra pública, paga com dinheiro do povo, foi entregue com material de quinta categoria, provavelmente após superfaturamento e desvios. A corrupção do governo, literalmente, matou gente.
Se você, brasileiro, sente uma semelhança com a nossa realidade, não é coincidência. Nós aqui convivemos com a sensação de lutar contra absurdos, de mostrar a opressão de um STF, e muitas vezes parece que nada acontece.
O povo sérvio foi às ruas. O símbolo dos protestos? Mãos manchadas de sangue. A revolta não era apenas pela tragédia, mas pelo pano de fundo: a ineficiência estatal e a corrupção endêmica, muito parecida com a que o Brasil normalizou ao eleger figuras como Lula. A investigação, como esperado, começou a travar assim que se aproximou do poder. Treze pessoas foram indiciadas, mas a apuração parou nos aliados do presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic.
A reação popular foi massiva. Em um país de seis milhões de habitantes, protestos reuniram 500 mil pessoas. As demandas eram claras: prisão para os corruptos e novas eleições.
E qual foi a resposta do governo Vucic? O roteiro clássico do autoritarismo: repressão, polícia violenta, bombas e prisões arbitrárias.
Aqui, a história sérvia começa a parecer uma cópia carbono dos métodos da esquerda controladora. Quando a repressão não silenciou o povo, o governo partiu para a manipulação da informação. Vucic, um aliado de Putin – assim como Lula – decidiu criar uma operação psicológica.
O governo pagou grupos de pessoas para se passarem por... estudantes. O objetivo? Fazer um "contraprotesto", fingindo que eram alunos que "só queriam estudar" e que estavam sendo atrapalhados pelas manifestações legítimas.
O problema é que a burrice governamental sempre deixa rastros. A mentira foi tosca. As imagens dos "estudantes" do governo viralizaram: homens de 40 e 50 anos, todos visivelmente ligados ao partido do presidente.
Para piorar a "lambança", esses agentes do governo tentaram pichar muros contra os manifestantes e conseguiram a proeza de escrever a palavra "estudantes" errada no idioma sérvio. Foi preciso tão pouco para expor a farsa. A incompetência virou meme e deu ainda mais força aos protestos reais. Parece que, para insistir em narrativas tão frágeis, falta alguma "pecinha na cabeça".
Quando a farsa falhou, o governo apelou para a força bruta, usando um "canhão de som" – uma arma proibida – contra os manifestantes. Pego em flagrante, o presidente Vucic foi à TV negar, afirmando que renunciaria se provassem o uso da arma. Poucas horas depois, seu próprio Ministro do Interior admitiu que sim, o canhão foi usado. A desonestidade intelectual exposta em tempo real.
E a mídia? A "mídia tradicional socialista" da Sérvia, assim como a daqui, passou a blindar o governo. Os protestos foram ignorados pela imprensa internacional, e a Rússia, aliada de Vucic, disparou a narrativa de que tudo era uma "revolução colorida" financiada pela CIA.
Essa desculpa é patética. Não precisa de CIA. A corrupção matou 16 pessoas. O povo acordou. O Estado falhou. Simples assim.
Essa situação é idêntica ao que vivemos no Brasil. Aqui, também vemos arbitrariedades. Aqui, a imprensa também "lambe o saco do governo". Aqui, também vemos o povo protestar, mostrar os absurdos, e a resposta do sistema é o silêncio ou a repressão.
O que a Sérvia nos ensina é que esse modelo de Estado gigante, corrupto e controlador, que usa a mídia para mentir e a força para oprimir, não é sustentável. O cidadão comum precisa parar de acreditar em narrativas e focar nos fatos. O fato é que a marquise caiu. A prosperidade só vem com liberdade, responsabilidade e um Estado mínimo, onde a corrupção não tenha poder para matar.
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