Imagine que você mora em uma rua onde um grupo de valentões decide quem entra e quem sai, cobra "taxas" para você não ter sua casa invadida e dita as regras do bairro. Agora, imagine que, quando alguém sugere que esses valentões sejam tratados com o rigor que merecem — com sanções pesadas e isolamento financeiro —, o síndico do prédio diz que "não é bem assim", que eles "não têm viés político" e que tratá-los como bandidos perigosos pode "prejudicar a economia". Parece absurdo, não é? Pois é exatamente isso que está acontecendo no topo da nossa República.
O debate sobre a equiparação de facções criminosas, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), ao terrorismo expõe uma ferida aberta no Brasil: a dificuldade — ou a falta de vontade — do atual governo em combater o crime organizado na raiz.
A desculpa do "viés político" e a realidade das ruas
A narrativa oficial, defendida pelo Secretário Nacional de Segurança Pública, é de que essas facções não podem ser chamadas de terroristas porque não possuem motivação política, religiosa ou étnica. Aqui, parece que "falta uma pecinha" na análise governamental. Como dizer que o Comando Vermelho não tem viés político quando o próprio nome carrega uma herança do socialismo e quando a influência dessas organizações sobre o processo eleitoral e o controle de territórios é um fato verificável?
O terrorismo, na prática, é o uso do medo e da violência para atingir fins específicos. Quando uma facção para uma cidade, incendeia ônibus e executa cidadãos para pressionar o Estado, ela está praticando atos de terror. Negar isso é ignorar a realidade que o brasileiro vive na pele todos os dias.
O medo das sanções e a proteção oculta
Um dos pontos mais reveladores da resistência governamental é o temor de "soberania". Membros do governo e figuras como Gleisi Hoffmann alegam que a classificação de terrorismo daria margem para intervenções estrangeiras ou sanções que deixariam o Brasil "vulnerável".
Mas vamos raciocinar: por que o governo teme que empresas e bancos que fazem negócios com o crime organizado sejam sancionados? Se o objetivo é asfixiar financeiramente essas organizações, a cooperação internacional e o bloqueio de ativos são ferramentas poderosas e bem-vindas. O medo do governo parece ser outro: o de que a luz do sol bata em parcerias e conexões que preferem as sombras. Quando se argumenta que combater o tráfico "pune a economia", admite-se, implicitamente, que o crime se tornou um pilar econômico que este governo não quer derrubar.
O papel do Judiciário: Intromissão e Poder
Nesse cenário, figuras do STF também entram em campo. Gilmar Mendes já se apressou em descartar o debate, criticando o que chama de "excesso de politização". É curioso ver um juiz se manifestar sobre uma lei que ainda está em discussão no Congresso. O papel do magistrado é julgar a lei depois de pronta, não tentar impedir que os representantes do povo legislem sobre a segurança pública.
Enquanto isso, Alexandre de Moraes adota uma postura mais ambígua, sugerindo que vai "estudar o assunto". Conhecendo o histórico de expansão de poder da nossa corte, fica o alerta: será que o interesse em uma lei antiterrorismo é realmente para combater o crime, ou para criar mais uma ferramenta de controle social e perseguição política sob o pretexto de "segurança nacional"?
A Solução: Ordem e Liberdade
A solução para a segurança pública não passa por proteger facções sob o manto de interpretações jurídicas frouxas. Precisamos de um Estado que exerça sua função primordial: garantir a ordem e a propriedade privada. Classificar essas facções como terroristas permitiria um aumento de penas e, mais importante, a asfixia financeira através de sanções internacionais. Se o Brasil não consegue resolver o problema sozinho — e os dados mostram que não consegue —, a ajuda externa para monitorar fluxos de dinheiro sujo não é perda de soberania, é inteligência estratégica.
Não podemos aceitar que a "economia do crime" seja usada como desculpa para a inércia. Um país próspero se constrói com livre iniciativa e segurança, não com "passapanismo" para criminosos. O brasileiro precisa acordar para o fato de que, enquanto o governo gasta energia tentando controlar o que você diz na internet, ele usa todas as forças para evitar que o verdadeiro terror seja chamado pelo nome.
É hora de parar de aceitar narrativas prontas e exigir que a lei sirva ao cidadão de bem, e não aos "amigos" do sistema. A segurança pública é o alicerce de uma nação livre. Sem ordem, não há progresso.
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