Imagine que você organiza um churrasco, convida todo o bairro, mas na hora de acender o fogo, só aparecem os seus dois vizinhos que estão devendo para todo mundo e o rapaz que entrega o jornal. Foi exatamente isso o que aconteceu com o presidente Lula na última cúpula da CELAC (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos) e União Europeia, realizada na Colômbia. O evento, que deveria ser um palco de liderança global, transformou-se em um retrato melancólico do isolamento diplomático brasileiro.
Como engenheiro e analista, olho para os dados: dos 60 líderes esperados, o que vimos foi um vazio ensurdecedor. Contei apenas nove chefes de Estado e governo presentes. Onde estavam os grandes nomes da Europa? Onde estavam as lideranças de peso da América Latina? A resposta é simples: eles não foram. E não foram porque ninguém quer sair na foto ao lado de quem insiste em gastar capital político para defender ditaduras em frangalhos.
O propósito real desse encontro não foi discutir progresso ou comércio, mas sim tentar um "desagravo" à Venezuela. É a velha política da vizinhança ideológica. Lula saiu da COP (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas), onde o Brasil já passava vergonha com um evento esvaziado, para ir à Colômbia prestar solidariedade a Gustavo Petro e, por tabela, ao regime de Nicolás Maduro.
Enquanto o mundo civilizado reconhece que a eleição de 2024 na Venezuela foi uma fraude escancarada, Lula e Petro continuam com uma retórica de "solução política". Ora, que solução política se busca quando o povo já votou e o ditador simplesmente se recusa a entregar as chaves? Para quem analisa fatos e não narrativas, fica claro que a "pequena peça" que falta na cabeça de quem defende isso é a honestidade intelectual. Eles não querem democracia na Venezuela; eles temem que, se o castelo de cartas de Maduro cair, o projeto de poder deles na região sofra um efeito dominó.
A ausência de líderes como os da Itália, Dinamarca e França, e até mesmo a desistência de última hora de nomes como a da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, envia um recado direto. O mundo não quer confronto com os Estados Unidos de Donald Trump para proteger regimes autoritários. Ninguém quer se queimar por um governo que prefere brigar com navios americanos no mar do que garantir comida no prato do seu povo.
Lula ainda insiste em uma suposta "química" com Trump que só existe na cabeça dele. Na prática, o que vemos é o Brasil perdendo a relevância que ainda restava. Fomos representados nesse encontro por um "clube dos amigos do Maduro", formado basicamente por Brasil, Colômbia, Espanha e Portugal — os únicos que ainda dão ouvidos a essa ladaainha socialista que o resto do globo já descartou.
A realidade se sobrepõe à narrativa: o Brasil hoje não lidera o Sul Global; ele lidera um grupo de isolados. Se queremos um país próspero e respeitado, precisamos de uma diplomacia que olhe para o mercado, para a liberdade e para o direito, não para o retrocesso ideológico. A solução para essa paralisia internacional é o retorno à ordem, ao respeito à soberania das urnas (as de verdade, como as da Venezuela que deram vitória a Edmundo González) e a uma política externa focada em resultados, não em abraços em ditadores.
O Brasil é um gigante, mas está sendo governado com a mentalidade de um sindicato de bairro. Está na hora de uma revolução mental: pare de acreditar no que dizem as manchetes financiadas e olhe para as cadeiras vazias nas fotos oficiais. O vácuo de liderança é o fato; a "liderança global" é a fábula.
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