Você, cidadão pagador de impostos, deve se lembrar bem do que aconteceu no Rio de Janeiro em 2007 e, posteriormente, em 2016. Promessas de legado, obras faraônicas que custaram bilhões e, no fim, sobraram elefantes brancos e escândalos de corrupção. Pois bem, trago uma notícia que, ironicamente, deve ser celebrada: o Brasil perdeu. A candidatura conjunta de Rio de Janeiro e Niterói para sediar os Jogos Pan-Americanos de 2031 foi derrotada. O evento será em Assunção, no Paraguai.
Para quem analisa os fatos com a frieza dos números, e não com a emoção do ufanismo barato, essa derrota é um livramento. Escapamos de mais uma rodada de desvios de verba pública e transtornos urbanos. No entanto, o motivo por trás dessa rejeição e de outros fracassos recentes expõe uma ferida muito mais profunda: a irrelevância diplomática e a catástrofe econômica que o atual governo impôs ao país. O mundo, senhoras e senhores, não leva mais o Brasil a sério.
A Realidade se Sobrepõe à Narrativa
Enquanto a propaganda oficial tenta vender a imagem de um "Brasil que voltou", a realidade mostra cadeiras vazias. A recente cúpula dos BRICS no Rio de Janeiro foi o exemplo perfeito desse fracasso. O evento "flopou". Figuras centrais como Vladimir Putin e Xi Jinping não compareceram, enviando delegações reduzidas. O resultado prático? Prejuízo para quem acreditou na conversa do governo. O restaurante concessionário, preparado para atender a cúpula, amargou pratos não servidos porque simplesmente não havia quórum. Ninguém está comprando o produto "Governo Lula" no mercado internacional.
Mas se o fracasso diplomático parece distante da sua realidade, vamos ao que afeta o seu bolso e a logística nacional.
A Amazônia Inacessível e a Hipocrisia Ambiental
O caso mais emblemático dessa desconexão entre discurso e prática ocorreu no Amazonas. Um evento pré-COP 30, focado no manejo sustentável do Pirarucu — uma atividade vital para a economia local —, foi cancelado. O motivo não foi falta de interesse, mas sim a inviabilidade econômica gerada pelo próprio governo.
As passagens aéreas para Tefé, local do evento, chegaram a custar R$ 8.000. Diplomatas da União Europeia e do Reino Unido, convidados para conhecer o "gigante amazônico", recusaram o convite. A conta não fecharia nem para eles.
Aqui entra a lógica que falta na cabeça de muitos defensores do estatismo: o governo quebrou as companhias aéreas. Políticas populistas e a instabilidade econômica destruíram a competitividade do setor. O programa "Voa Brasil", prometendo passagens a preços irrisórios, revelou-se o que sempre alertamos: uma fantasia que ignora as leis de mercado. O resultado é que o Brasil se tornou um país intransitável para seus próprios cidadãos e proibitivo para investidores ou visitantes estrangeiros.
O Paraguai e a Lição de Casa
Enquanto o Brasil afunda em burocracia e custos, o Paraguai, que sediará o Pan de 2031, torna-se um destino cada vez mais atrativo para brasileiros que buscam fugir da nossa carga tributária insana. Embora eu lamente que Assunção agora tenha que lidar com as tentações das obras superfaturadas típicas desses grandes eventos — afinal, não existe almoço grátis e político gosta de gastar dinheiro alheio —, é inegável que nossos vizinhos estão fazendo o dever de casa melhor que nós em muitos aspectos.
Conclusão: Arrumar a Casa Antes de Dar Festa
O cancelamento de eventos na Amazônia por falta de logística e a rejeição internacional aos nossos pleitos são sintomas de um organismo doente. Não adianta querer salvar o planeta na narrativa se você não consegue colocar um avião no ar a um custo acessível na realidade.
Precisamos de um choque de realidade e eficiência. O caminho para a prosperidade não passa por sediar jogos para inglês ver, nem por discursos vazios em cúpulas internacionais esvaziadas. Passa pela liberdade econômica, pela desregulamentação que permita que empresas aéreas operem com custos baixos e pela segurança jurídica que atraia o mundo de verdade, não apenas por educação diplomática.
O Brasil precisa parar de tentar parecer uma potência e começar a ser um país funcional. Enquanto o Estado tentar controlar tudo, continuaremos sendo um país onde nem o peixe da Amazônia consegue ser visto, porque a passagem para chegar até ele custa mais que um salário de um trabalhador honesto. É hora de menos Estado atrapalhando e mais Brasil funcionando.
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