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sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Correios cancelam leilão de R$ 280 milhões após receberem cheque sem fundo de ONG de pai de santo

 
Correios cancelam leilão de R$ 280 milhões após receberem cheque sem fundo de ONG de pai de santo

A situação dos Correios no Brasil ultrapassou a fronteira da má gestão e entrou oficialmente no terreno do surrealismo. Imagine uma estatal estratégica, que deveria ser o motor da logística nacional, chegando ao ponto de tentar vender um de seus ativos mais valiosos em Brasília — a Universidade Corporativa dos Correios — e acabar emaranhada em um imbróglio que envolve um pai de santo, uma ONG e um cheque "borrachudo" de meio milhão de reais. É o retrato de um país onde a realidade, infelizmente, insiste em atropelar qualquer narrativa de eficiência governamental.


O fato é objetivo: os Correios decidiram leiloar um terreno de 212 mil metros quadrados no Setor de Clubes Norte, uma das áreas mais luxuosas e valorizadas da capital federal. O preço mínimo era de R$ 310 milhões. No entanto, o único lance veio da ONG CPM Intercab, de propriedade do Pai Jorge de Oxóssi. Para garantir o negócio, o edital exigia um sinal de R$ 500 mil à vista. O resultado? O pagamento foi feito com um cheque de uma terceira empresa que simplesmente não tinha fundos. O depósito nem sequer foi efetuado.


Como engenheiro e analista, olho para esses dados e vejo um sistema falido. Os Correios estão quebrados. A empresa, que já foi orgulho nacional, hoje amarga a insolvência sob uma gestão que prioriza o apadrinhamento político em detrimento da competência técnica. Quando uma estatal chega ao nível de aceitar um lance único, sem concorrência real, e ainda cai no golpe do cheque sem fundo, fica claro que a estrutura administrativa está em frangalhos.


O que mais chama a atenção não é a religião do comprador — direito sagrado de cada cidadão — mas a estranheza das transações. O Pai Jorge alega que o cheque de R$ 500 mil foi uma doação de uma frequentadora do terreiro, uma mulher que, segundo investigações, já foi alvo de mandado de prisão por envolvimento em golpes. Aqui, a lógica nos obriga a perguntar: como uma instituição pública permite que um leilão de quase R$ 300 milhões chegue a esse estágio sem um filtro rigoroso de "compliance" ou garantia financeira real? Para quem defende um Estado gigante e controlador, esse episódio é a prova cabal de que, quanto mais o governo tenta gerir o que não lhe cabe, mais ele se torna vulnerável a amadorismos e irregularidades.


A narrativa oficial tenta suavizar o golpe dizendo que o processo foi anulado e não houve prejuízo financeiro direto. Mas o prejuízo existe e é moral. É o tempo perdido, é a desvalorização do patrimônio público e é a demonstração de que a estatal está operando no "fim de carreira". Enquanto isso, o governo flerta com pedidos de empréstimos bilionários para tapar o buraco dos Correios, dinheiro que sairá, como sempre, do bolso do contribuinte.


A solução para esse caos não é mais dinheiro público ou novas licitações burocráticas; é a liberdade econômica. O motor da prosperidade é a livre iniciativa. Se os Correios não conseguem sequer gerir a venda de seus próprios prédios sem cair em ciladas de cheques sem fundo, como podem querer monopolizar a logística de um país continental? A privatização total e a abertura do mercado são as únicas saídas para que o cidadão pare de pagar a conta da incompetência estatal.


Este caso é uma metáfora perfeita do Brasil atual: um terreno valioso, nas mãos de quem não sabe administrar, sendo disputado por quem não tem como pagar, sob a supervisão de um Estado que finge que está tudo sob controle. É hora de uma revolução mental. Precisamos parar de aceitar a narrativa de que o Estado é o "grande protetor" e começar a enxergar os fatos. Quando o sistema falha de forma tão bizarra, não é apenas um erro administrativo; é a prova de que a "pecinha" da eficiência estatal nunca esteve no lugar.

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