Imagine um evento global que promete resolver os problemas climáticos do mundo, mas que não consegue sequer resolver a logística de um almoço ou vedar um teto contra uma chuva previsível. Bem-vindos à realidade da COP 30 em Belém do Pará. O que estamos assistindo nos primeiros dias deste encontro internacional não é apenas um show de incompetência administrativa; é um retrato fiel de como a ideologia, quando colocada acima da técnica e da realidade, resulta em vergonha nacional e perigo geopolítico.
Como engenheiro, aprendi cedo que a natureza não perdoa improvisos. Em Belém, a "chuva das cinco" é um fenômeno tão certo quanto o nascer do sol. No entanto, a organização do evento, gerida por aqueles que dizem saber controlar a temperatura do planeta, foi incapaz de preparar tendas que suportassem a água. O resultado? Salas de imprensa alagadas, equipamentos em risco e a imagem do Brasil literalmente indo por água abaixo. A narrativa oficial tenta pintar um quadro romântico, dizendo que os estrangeiros estão "se divertindo" com a chuva. Não se enganem: o riso do estrangeiro ao ver goteiras em um evento bilionário não é de alegria, é de nervoso e de escárnio com a nossa desorganização.
Mas o buraco é mais fundo. A incompetência logística gerou também a escassez de alimentos. Relatos confirmam que, em meio a tentativas de tabelamento e controle de preços — uma velha tática socialista que nunca funcionou em lugar nenhum do mundo —, a comida acabou. Participantes tiveram que almoçar sorvete porque não havia refeição disponível. É a aplicação prática da máxima econômica que defendo: se você tenta controlar o mercado artificialmente, gera escassez. A realidade se impõe, e a fome não respeita decreto.
Entretanto, se a vergonha logística é grande, o risco político é imensamente maior. O que me preocupa, como analista do cenário internacional, é a armadilha diplomática em que o Brasil está se atirando de cabeça. A delegação americana presente não representa o governo eleito dos Estados Unidos. Figuras como Gavin Newsom, governador da Califórnia, e outros representantes da esquerda democrata, desembarcaram aqui com um objetivo claro: usar o Brasil e o presidente Lula como massa de manobra para atacar Donald Trump.
É uma estratégia de "guerra por procuração". Eles incentivam Lula a manter uma postura agressiva contra o presidente americano, alimentando o ego da esquerda brasileira, enquanto quem paga a conta é o nosso setor produtivo. Trump será o presidente da maior economia do mundo pelos próximos anos. Comprar briga com ele para agradar uma elite progressista que acabou de ser derrotada nas urnas americanas é, no mínimo, uma diplomacia suicida. A esquerda americana adora ver Lula "latindo" para Trump, pois isso poupa a imagem deles lá fora, enquanto expõe o Brasil a retaliações comerciais e tarifárias severas.
O governador da Califórnia chega a classificar a ausência do governo federal americano como "guerra ideológica", apostando na estupidez. Mas a verdadeira estupidez é acreditar que discursos inflamados em palanques alagados vão mudar a política de Washington. Trump é pragmático. Lula, ao contrário, parece governar para a plateia internacional, esquecendo que os interesses nacionais — como a exportação de nossos produtos e a estabilidade econômica — dependem de boas relações com quem detém a caneta no Salão Oval.
O que vemos na COP 30 é a síntese do pensamento esquerdista: muito barulho, nenhuma eficiência prática e uma total desconexão com a realidade econômica. É uma competição para ver quem consegue impor mais restrições e custos ao cidadão comum em nome de uma "salvação" futura, enquanto no presente não conseguem garantir um prato de comida ou um teto seco para seus convidados.
Para o Brasil voltar aos trilhos, precisamos de uma revolução mental. Precisamos abandonar a postura de anão diplomático que serve de palco para disputas internas de outros países e focar no que interessa: soberania, eficiência e livre mercado. Não podemos aceitar que o nosso futuro seja decidido por burocratas que não sabem planejar uma estrutura para chuva, mas acham que podem planejar a economia global. A realidade bate à porta, e ela não aceita desaforo. Que este fiasco sirva de lição: narrativas não enchem barriga e nem protegem da tempestade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário