A máxima que sempre repito em minhas análises se prova verdadeira mais uma vez: a realidade sempre se sobrepõe à narrativa. O Senado Federal aprovou recentemente um projeto de lei que proíbe os bancos de negarem empréstimos a idosos com base na idade ou em condições de saúde. À primeira vista, para quem se deixa levar pelo discurso fácil do "politicamente correto", parece uma medida de proteção, um ato de amor aos nossos avós. Mas, como engenheiro e analista que trabalha com fatos e lógica, preciso ser direto com você: isso não passa de uma armadilha populista que vai custar caro justamente para quem eles dizem proteger.
A Lógica Econômica Ignorada
Vamos aos fatos, sem rodeios. Políticos, especialmente os de viés esquerdista como o autor da proposta (Jaques Wagner, do PT), acreditam que basta escrever um desejo num papel para que ele se torne realidade. Parece que falta uma "pecinha" na cabeça dessa gente para entender como o mundo real funciona.
Bancos não são instituições de caridade; são negócios baseados em risco e retorno. Quando um banco empresta dinheiro, ele precisa ter a garantia de que vai receber de volta. Existe uma lógica matemática irrefutável aqui: uma pessoa de idade avançada representa um risco maior para a instituição. Não é preconceito, é estatística. O risco de morte ou de uma incapacidade súbita, como um derrame, aumenta com os anos.
Embora existam seguros que cobrem o saldo devedor em caso de falecimento, o prêmio desse seguro fica astronomicamente mais caro quanto maior for a idade do contratante. Um empréstimo de longo prazo, de 20 ou 30 anos, para alguém de quase 60 anos (como o próprio relator da fonte citada menciona ser), é uma operação de altíssimo risco. Obrigar o banco a ignorar isso é como querer revogar a lei da gravidade por decreto.
O Custo da Lei Recai Sobre o Mais Fraco
A regra é clara e inviolável: toda lei tem um custo, e esse custo é pago pela parte mais fraca 100% das vezes. O que essa lei "idiota" — e uso o termo técnico aqui para descrever a ineficiência da medida — vai gerar não é mais crédito para os idosos, mas sim mais humilhação e perda de tempo.
Antes dessa intervenção estatal desastrosa, a comunicação era transparente. O banco podia dizer: "Olha, devido à idade avançada ou condição de saúde, nossa política não permite esse empréstimo". Era duro? Talvez. Mas era honesto e poupava o tempo do cliente.
Agora, com a proibição, o banco não vai magicamente começar a emprestar dinheiro para quem tem um risco elevado ou para alguém em estágio terminal de uma doença grave, como um câncer nível 4. O banco não rasga dinheiro. O que vai acontecer é a institucionalização da mentira. O gerente será obrigado a receber o idoso, fazê-lo preencher fichas, levar documentos, criar uma expectativa, gastar condução e tempo, para no final negar o crédito sob uma desculpa genérica de "score insuficiente" ou "política interna de risco".
O Estado, na sua ânsia de controlar tudo, tirou do idoso o direito de saber a verdade e o condenou a uma via crucis burocrática inútil.
A Analogia da Aparência
Para ilustrar a hipocrisia dessa medida, podemos compará-la às leis que proíbem anúncios de emprego exigindo "boa aparência". Se uma empresa de cosméticos ou uma loja de moda quer contratar alguém com um perfil estético específico, proibi-la de colocar isso no anúncio não muda a vontade do contratante.
A empresa continuará contratando quem ela quiser. A única diferença é que, agora, pessoas fora daquele perfil perderão tempo enviando currículos e participando de entrevistas para vagas que nunca seriam delas. A transparência gera eficiência; a proibição gera ruído e frustração. É exatamente o mesmo cenário com os empréstimos para idosos.
O Verdadeiro Objetivo: O Voto, Não a Vida
Por que, então, aprovam uma lei que atrapalha a eficácia econômica e prejudica a vida das pessoas? A resposta é puramente eleitoreira. O político quer subir no palanque e dizer: "Vovô, eu te protegi dos bancos malvadões". É uma peça de propaganda barata. Eles vendem a ilusão de ajuda em troca de votos, enquanto na prática criam obstáculos.
O senador que propôs isso não precisa de empréstimo; ele tem a vida ganha. Quem sofre é o cidadão comum, que agora terá que lidar com subterfúgios e falta de clareza bancária.
Conclusão: Menos Estado, Mais Verdade
Precisamos de uma revolução mental urgente. Devemos parar de aplaudir leis que soam bonitas, mas que na prática estrangulam a livre iniciativa e a honestidade nas relações comerciais. O caminho para a prosperidade não é obrigar empresas a tomarem decisões que ferem a lógica econômica, mas sim permitir um mercado livre onde as regras sejam claras, mesmo que duras. Proteger o idoso não é tratá-lo como incapaz ou esconder a realidade, mas garantir que ele não seja feito de bobo por políticos demagogos que usam o Estado para fazer cortesia com o chapéu alheio.
A liberdade econômica e a verdade, por mais cruas que sejam, são sempre preferíveis à mentira doce do paternalismo estatal.
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