Vamos direto ao ponto, sem rodeios e sem a linguagem melosa que a grande mídia costuma usar para amenizar desastres econômicos. A falência da Oi, decretada recentemente, não é um acidente de percurso e muito menos uma fatalidade do mercado. Ela é o resultado prático, tangível e doloroso de uma visão de mundo que acredita que o Estado deve brincar de empresário.
Para quem tem memória curta ou para quem acredita na narrativa de que o governo passado era o pai dos pobres e da indústria nacional, os fatos são uma ducha de água fria. A Oi não quebrou apenas porque o modelo de telefonia fixa morreu ou por má gestão isolada. A Oi quebrou pelos mesmos motivos que foi criada: a política desastrosa dos "Campeões Nacionais" gestada nos governos de Lula e Dilma.
A ideia era linda no papel, típica de quem nunca teve que gerar um centavo de lucro na vida real: pegar dinheiro público, via BNDES, e injetar em empresas escolhidas a dedo para criar gigantes que competiriam no cenário global. Na prática? Criaram gigantes de pés de barro, sustentados artificialmente pelo seu, pelo meu, pelo nosso dinheiro.
Onde a "porca torceu o rabo" nessa história? Na mistura tóxica entre ideologia e negócios. A análise fria dos dados mostra que o momento crítico, o ponto de não retorno para a Oi, foi a fusão com a Portugal Telecom. E aqui, meu amigo, é preciso ter a tal "pecinha na cabeça" no lugar para entender a gravidade. Essa fusão não foi uma decisão técnica de mercado visando eficiência. Foi uma operação para salvar a pele de "companheiros" do outro lado do Atlântico.
O governo brasileiro da época decidiu estender a mão para a esquerda portuguesa, especificamente para o grupo ligado a José Sócrates e ao Banco Espírito Santo, que estavam atolados em dívidas e escândalos de corrupção. O resultado dessa "ajuda humanitária" com o chapéu alheio foi que a Oi absorveu um rombo bilionário da empresa portuguesa. Importamos uma dívida impagável para salvar a reputação de políticos estrangeiros. A Portugal Telecom estava quebrada, e a solução encontrada foi fundi-la com a brasileira, contaminando uma operação que já tinha seus desafios.
É fundamental olharmos para isso com a lógica de um engenheiro: se você constrói um prédio sobre uma fundação podre, ele vai cair. Não adianta pintar a fachada. A Oi entrou em recuperação judicial lá em 2016, devendo 65 bilhões de reais. Tentaram remendar, venderam a parte móvel (a única que dava dinheiro de verdade, já que ninguém mais usa telefone fixo e orelhão), mas o buraco era fundo demais.
E quem paga essa conta? A resposta é sempre a mesma: você. Uma parte gigantesca dessa dívida é com bancos públicos e fundos que operam com capital nacional. O dinheiro que deveria estar financiando saneamento, segurança ou infraestrutura real foi queimado em uma fogueira de vaidades políticas e acordos internacionais de camaradagem ideológica.
Há quem diga: "Ah, mas a privatização foi ruim". Vamos parar com a hipocrisia e olhar para a realidade. Antes das privatizações, uma linha telefônica no Brasil era declarada no Imposto de Renda e custava o preço de um carro popular — cheguei a ver gente pagando 4 mil reais na época. Era um serviço de elite. Hoje, com todos os defeitos das operadoras (e eles existem), qualquer cidadão tem acesso à comunicação. As estatais de telefonia eram cabides de emprego ineficientes que serviam a poucos. O que matou a Oi não foi o livre mercado; foi a tentativa do Estado de manipular o mercado.
O cenário agora é triste, mas previsível. Milhares de funcionários vão perder seus empregos. Pessoas reais, famílias que dependem desse sustento, são as vítimas finais de decisões tomadas em gabinetes refrigerados por burocratas que nunca demitiram ninguém porque nunca pagaram uma folha de pagamento com o próprio suor.
A falência da Oi é o atestado de óbito da ideia de que o governo sabe alocar recursos melhor do que a iniciativa privada. Enquanto insistirmos em eleger governantes que acham que podem controlar a economia na canetada para ajudar amigos, continuaremos colecionando falências, desemprego e dívidas para as futuras gerações. A solução é simples, embora dura para alguns aceitarem: o Estado tem que sair da frente e deixar quem produz trabalhar, sem tentar escolher vencedores e perdedores. O Brasil precisa de menos Brasília e de mais Brasil.
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