A cena, para quem assiste de fora, poderia até ser comovente. Na última sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) sob a presidência de Luís Roberto Barroso, o que se viu foi um espetáculo de emoções. Lágrimas, vozes embargadas e discursos sobre o “sacrifício pessoal” feito em nome do país. Barroso chorou, Gilmar Mendes chorou. A narrativa oficial, repetida à exaustão, é a de que homens corajosos tomaram decisões difíceis para salvar a democracia brasileira de um perigo iminente. Mas a realidade, como sempre, se sobrepõe à narrativa. O que vimos não foram as lágrimas de heróis, mas o choro dos culpados.
Vamos aos fatos, sem a linguagem rebuscada que serve para confundir. O que Barroso e seus pares chamam de “sacrifício” foi, na verdade, uma operação política calculada, executada com a frieza de quem sabe que está rasgando a Constituição para atingir um objetivo. O alvo nunca foi um suposto golpe, mas sim a destruição de uma corrente política legítima e crescente: o bolsonarismo. A missão era clara: aniquilar um adversário que ameaçava o velho sistema, aquele conluio confortável entre PT e PSDB, e para isso, o devido processo legal foi transformado em um detalhe inconveniente.
A verdade é que eles sabem que erraram. Sabem que usaram a máquina do Judiciário de forma abusiva, sem lógica ou justificativa plausível, para uma perseguição implacável. O voto do ministro Fux, em outra ocasião, já havia detalhado os inúmeros erros jurídicos cometidos nesse processo. Eles ignoraram. Acreditavam estar cometendo um “erro para o bem”, uma daquelas desculpas que tiranos contam para si mesmos antes de dormir. Acharam que, ao condenar Bolsonaro e perseguir seus apoiadores, apertariam um botão e o jogo acabaria. O consenso estaria formado, a direita silenciada e o Brasil “civilizado” à força.
Que erro de cálculo monumental. O que eles não entenderam — e talvez comecem a entender agora, daí as lágrimas — é que o jogo está apenas começando. O tal “sacrifício pessoal” de que falam ainda nem começou a ser cobrado. O verdadeiro preço de suas ações não será a perda de um visto americano, mas o veredito da história. Seus nomes não serão lembrados como os salvadores da pátria, mas como os homens que, por vaidade e preconceito político, traíram a justiça e tentaram esmagar a vontade de milhões de brasileiros.
A tentativa de salvar o PSDB, o partido que se tornou irrelevante, custou a credibilidade da mais alta corte do país. O plano era simples: eliminar Bolsonaro para abrir caminho para a velha política. O resultado foi o oposto. A direita não apenas sobreviveu, como se fortaleceu. A perseguição serviu como combustível, e a percepção de injustiça uniu pessoas que antes estavam dispersas. Enquanto isso, o grande arquiteto dessa lambança, Alexandre de Moraes, que Gilmar Mendes chegou a chamar de “herói”, hoje enfrenta as consequências mais duras, isolado e exposto em um cenário internacional.
As lágrimas de Barroso e Gilmar não são de tristeza pelo Brasil. São lágrimas de quem percebeu que a conta chegou. É o choro do arrependimento tardio, da constatação de que se envolveram em uma batalha que não podiam vencer, não porque lhes faltasse poder, mas porque lhes faltava a razão. Eles achavam que estavam no controle da narrativa, mas a informação hoje flui por canais que eles não podem represar. O povo conversa, o povo vê, e o povo não esquece.
Eles tentaram agir como cirurgiões, removendo o que consideravam um “tumor” da política brasileira. No fim, agiram como açougueiros, ferindo de morte a confiança no devido processo legal e nas instituições. Agora, choram ao ver que o paciente não só sobreviveu, como está mais forte e consciente do que nunca.
É hora de cada cidadão brasileiro fazer uma revolução mental. Recusar o teatro das togas, questionar as narrativas oficiais e analisar os fatos com a frieza que a situação exige. O futuro do Brasil não será decidido por lágrimas de culpa em Brasília, mas pela coragem de um povo que se recusa a ser silenciado.
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