A hipocrisia, quando levada ao extremo, acaba por se revelar. Recentemente, fomos brindados com uma confissão impressionante vinda da grande mídia, especificamente de uma coluna de Malu Gaspar. A tese apresentada é de uma clareza solar para quem analisa os fatos sem as lentes da ideologia: o sistema admite que o Supremo Tribunal Federal (STF), e especificamente o ministro Alexandre de Moraes, ultrapassou todos os limites legais e constitucionais. No entanto, a narrativa tenta emplacar uma justificativa moralmente falida de que esses atropelos eram necessários para "conter o golpismo" de Jair Bolsonaro, mas que agora, cumprida a missão, seria hora de voltar à normalidade.
Essa postura revela o que nós, que prezamos pela ordem e pelo devido processo legal, denunciamos há tempos: o Brasil viveu sob a égide de um tribunal de exceção, onde a lei foi dobrada para atingir fins políticos específicos.
Dois Pesos e Uma Medida Descarada
A análise fria dos fatos expõe uma contradição insustentável. A imprensa tradicional agora reconhece os erros: decisões monocráticas abusivas, prisões preventivas alongadas sem denúncia formal, a trágica morte de Cleriston Pereira da Cunha (o Clesão) dentro do cárcere e manobras regimentais para retirar julgamentos do plenário. O argumento central é que o Judiciário "errou nisso e naquilo", mas que, como o alvo era Bolsonaro, tudo se justificava.
Aqui reside o perigo real para a nossa democracia. Ao validar que os fins justificam os meios, o sistema criou um precedente terrível. Se foi permitido atropelar a Constituição para atingir um ex-presidente que jamais saiu das quatro linhas, o que impede que o mesmo mecanismo seja usado contra qualquer outro opositor no futuro? Hoje foi Bolsonaro; amanhã, a mesma máquina de moer reputações e direitos poderá se voltar contra um governador como Tarcísio de Freitas ou qualquer outra liderança que incomode o projeto de poder da esquerda.
O Monstro Saiu da Jaula
O que vemos agora é o pânico dos próprios criadores da criatura. Aqueles que aplaudiram os excessos do Judiciário enquanto a mira estava apontada para a direita, agora percebem o tamanho do problema que geraram. Deram um poder absoluto a uma figura que hoje, ao que tudo indica, possui mais força política do que o próprio Executivo.
A movimentação nos bastidores, onde a preferência de Moraes para a presidência do Senado parece atropelar até mesmo os desejos do governo Lula, mostra que a "democracia" que diziam salvar foi, na verdade, sequestrada. O sistema está assustado porque o arbítrio não tem fidelidade; ele serve a quem detém a caneta no momento. A tal "força da democracia" celebrada pela esquerda nada mais foi do que a eliminação do contraditório via força bruta judicial.
Celeridade Seletiva e o Enterro do Devido Processo Legal
Como engenheiro, acostumado a lidar com processos lógicos, é impossível não notar as anomalias estatísticas nos ritos processuais recentes. Assistimos ao processo mais rápido da história do Judiciário brasileiro, uma celeridade nunca antes vista, desenhada exclusivamente para garantir condenações ou inelegibilidades antes do calendário eleitoral.
A defesa foi sistematicamente ignorada, recursos foram negados e o rito processual virou pó. A narrativa de que houve uma tentativa de golpe é frágil e não se sustenta diante da ausência de materialidade. Cogitar ou pensar, sem ações concretas e violentas de tomada de poder — como vimos na história real de golpes —, não constitui crime em uma democracia séria. O que houve foi a criminalização da crítica e da opinião. Dilma Rousseff, no passado, também cogitou cenários de resistência, e nem por isso foi tratada como golpista nesse nível penal. A acusação de golpe serviu apenas como cortina de fumaça para legitimar a perseguição.
A Verdade se Sobrepõe à Narrativa
A tentativa de reescrever a história em tempo real está falhando. O público, hoje descentralizado e informado graças à internet, percebe a manobra. A "Vaza Jato" contra a direita é celebrada pelos mesmos que anularam a Lava Jato sob pretexto de formalidades técnicas, escancarando que o combate à corrupção nunca foi a prioridade, mas sim a proteção dos aliados.
A realidade é que censuraram um lado do espectro político, colocaram o "dedo na balança" nas eleições de 2022 e agora tentam recolher as cordas porque o poder judiciário inflado ameaça a própria governabilidade da esquerda.
O Brasil precisa retornar ao império da lei, e não da vontade de iluminados. Não existe "meia democracia" ou "estado de exceção do bem". A segurança jurídica e a liberdade são valores inegociáveis. Enquanto aceitarmos que a justiça seja usada como ferramenta política para eliminar adversários, não teremos nem ordem, nem progresso, apenas a vontade de quem grita mais alto ou caneta com mais força. A confissão da imprensa é o primeiro passo para entendermos que o rei está nu.
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