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"Não basta enxergar a verdade. É preciso defendê-la."

terça-feira, 23 de setembro de 2025

Cancelamento: A Arma que a Esquerda Criou Virou-se Contra o Criador?

 
Cancelamento: A Arma que a Esquerda Criou Virou-se Contra o Criador?

O debate público se transformou em um campo minado onde a expressão de uma ideia pode custar uma carreira. O cidadão comum, que trabalha, paga seus impostos e tenta construir um futuro para sua família, assiste a uma guerra de narrativas onde a "cultura do cancelamento" se tornou a principal arma. O problema é que essa arma, antes empunhada com exclusividade por um lado do espectro político, agora parece ter se voltado contra quem a popularizou, expondo uma contradição que a sociedade começa a perceber de forma clara e inegável. O recente caso envolvendo o historiador Eduardo Bueno, conhecido como Peninha, é o exemplo perfeito dessa dinâmica: um comentário ofensivo sobre o assassinato do ativista americano Charlie Kirk não resultou em censura estatal, mas em uma avalanche de consequências práticas e econômicas, iniciada pela própria sociedade.


A jornada de desconstrução deste fenômeno começa por humanizar o impacto. Não se trata de uma discussão abstrata sobre liberdade de expressão, mas sobre a realidade concreta de um profissional que, após zombar da morte de um pai de família na frente de suas filhas, viu contratos com instituições como a PUC e uma grande livraria serem desfeitos. A narrativa oficial, que a esquerda costuma empregar quando um dos seus é alvo, é a de que isso se trata de uma "perseguição da extrema-direita" ou "censura". Vamos dar um nome a essa abordagem: "a narrativa da conveniência". A conveniência está em taxar como censura a exata mesma tática que eles batizaram de "cultura de consequências" quando a aplicavam contra seus opositores. O vilão conveniente, nesse caso, é sempre um grupo de "radicais" da direita, uma cortina de fumaça para não admitir a verdadeira causa do problema.


Mas essa explicação simplista resiste a um exame lógico? Se um grupo de consumidores pressiona uma empresa a retirar o patrocínio de um programa que considera ofensivo, isso é um ataque à democracia ou o livre mercado em ação? Se uma universidade, prezando por sua imagem, decide cancelar a palestra de alguém que celebra um assassinato, ela está censurando ou apenas exercendo sua liberdade de associação? Por que a mesma ação é vista como "justiça social" quando parte da esquerda e como "ataque fascista" quando parte da direita? A verdade é que a explicação comum não faz o menor sentido quando confrontada com a realidade. A lógica do bom senso nos obriga a enxergar o que está acontecendo sem o filtro da ideologia.


Após demolir as narrativas convenientes, a tese central se torna inescapável: a esquerda validou e ensinou a sociedade a usar o boicote econômico como arma política, mas cometeu um erro de cálculo fatal. Eles não perceberam que, em uma democracia capitalista, o verdadeiro poder de pressão não está na elite intelectual ou nos grupos militantes, mas na massa de consumidores. E essa massa, formada majoritariamente pela classe média e por pessoas com valores conservadores, é economicamente muito mais poderosa. A direita aprendeu a jogar o jogo, e agora os criadores da tática estão apavorados com a eficácia da sua própria invenção nas mãos do adversário. O inimigo, portanto, não é um grupo político, mas a hipocrisia de acreditar que as regras só deveriam valer para um lado.


A solução para esse impasse não é criar mais mecanismos de controle ou leis de censura, mas sim aplicar um princípio fundamental: a coerência. A liberdade de expressão deve ser defendida de forma intransigente, o que significa que Peninha tem o direito de dizer o que disse, por mais nojento que seja, sem ser preso pelo Estado. Contudo, a liberdade econômica e de associação também é sagrada. As empresas, as universidades e os consumidores têm o mesmo direito de se afastar e retirar seu apoio a quem emite opiniões que consideram repugnantes. A analogia é simples: o boicote é um bumerangue. Quem o arremessa deve estar preparado para o seu retorno. Se o seu oponente for numericamente e economicamente superior, o impacto será devastador.


Portanto, a chamada final não é para a ação física, mas para uma revolução mental. É hora de o cidadão rejeitar as narrativas simplistas e compreender que a liberdade de expressão não isenta ninguém das consequências sociais e econômicas de suas palavras. É preciso defender os princípios da responsabilidade individual e da liberdade de associação para todos, sem exceção. A verdadeira força não está em calar o outro, mas em usar a própria liberdade — de consumir, de contratar, de se associar — para construir a sociedade que se deseja.


#CulturaDoCancelamento #LiberdadeDeExpressao #GuerraCultural

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