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sábado, 13 de dezembro de 2025

O descontrole de Gilmar Mendes e o racha no STF: quando a narrativa colide com a realidade

 
O descontrole de Gilmar Mendes e o racha no STF: quando a narrativa colide com a realidade

Acompanho a política brasileira com a precisão de quem analisa um sistema de engenharia: quando as peças começam a vibrar fora do padrão, é sinal de que a estrutura está comprometida. E, meus amigos, as paredes do Supremo Tribunal Federal tremeram nesta semana. Não por um ato de justiça, mas por uma briga de egos que revelou o nervosismo de quem sempre se achou intocável. O protagonista desse espetáculo lamentável foi o ministro Gilmar Mendes, e o alvo de sua fúria, o ministro Luiz Fux. O motivo? O medo de perder o controle da narrativa.


Vamos aos fatos, sem rodeios. O STF formou maioria (placar de 4 a 0) para tornar o senador Sergio Moro réu por calúnia. A "grave ofensa"? Uma piada feita em uma festa junina, num ambiente descontraído, onde Moro sugeriu, em tom de brincadeira, que o dinheiro da fiança seria para "comprar um habeas corpus de Gilmar Mendes".


Para qualquer pessoa com um pingo de bom senso, isso é claramente uma anedota, muito similar, inclusive, a esquetes humorísticas já feitas pelo grupo "Porta dos Fundos" — que, ironicamente, é de esquerda. Mas, no Brasil de hoje, a lei serve para os amigos e o rigor (ou a perseguição) para os inimigos. Gilmar Mendes transformou uma piada de arraial em crime de Estado.


A situação saiu dos trilhos quando o ministro Luiz Fux pediu vista do processo, suspendendo o julgamento. Foi o suficiente para Gilmar perder a compostura. Segundo relatos de bastidores, confirmados pela análise que fiz do material recebido, Mendes partiu para o ataque pessoal. Ele ironizou Fux, sugerindo que o colega precisava de "tratamento de terapia" para superar a Lava Jato. Vejam a gravidade disso: um ministro da Suprema Corte insinuando que o combate à corrupção é uma patologia que precisa ser curada.


A verdade, nua e crua, é que o "sistema" nunca perdoou a Lava Jato. Enquanto a operação prendia empreiteiros e políticos distantes do STF, tudo era festa. No momento em que as investigações começaram a subir a rampa e chegaram perto de figuras como Toffoli e do próprio Gilmar — o famoso "amigo do amigo do meu pai" —, a postura mudou radicalmente. O que vemos hoje contra Moro não é justiça; é vingança institucionalizada.


O nervosismo de Gilmar Mendes, contudo, revela algo mais profundo do que mero rancor. O pedido de vista de Fux e, mais importante, seu voto técnico absolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro em outra ação (sobre o suposto plano de golpe), quebraram a unidade monolítica que o STF tentava vender. Eles precisavam de um placar unânime para sustentar a narrativa de que Bolsonaro é um criminoso golpista e que Moro é um caluniador perigoso. Quando Fux divergiu, a foto saiu tremida. O "consórcio" rachou.


Durante a discussão, Gilmar chegou a pressionar Fux a "enterrar" assuntos antigos envolvendo ex-funcionários, numa clara tentativa de intimidação moral. Fux, por sua vez, manteve a calma, afirmando que faria sua análise técnica e rebatendo que falaria mal de Gilmar publicamente, ao contrário de Mendes, que o faria pelas costas.


O que essa "lavagem de roupa suja" nos diz sobre o estado atual das nossas instituições? Diz que o rei está nu. O desespero de Gilmar Mendes, gritando e ofendendo colegas, é o sintoma de quem sente o terreno ceder. Com a pressão internacional, como as sanções da Lei Magnitsky pairando no ar, e a perda da capacidade de manter uma narrativa única sem contestações, o sistema reage com o fígado, não com o cérebro.


Para aqueles que insistem em não ver a perseguição política escancarada, sinto informar: falta uma pecinha na cabeça para entender a realidade. Não se trata de defender Moro — que cometeu seus erros políticos —, mas de defender o princípio de que a justiça não pode ser usada como chicote pessoal de magistrados.


A realidade, como sempre defendo, se sobrepõe à narrativa. O nervosismo no STF é a prova de que, por mais que tentem controlar a informação e calar opositores, a verdade é uma força da natureza. Ela sempre encontra uma rachadura para passar. E essa rachadura, hoje, está exposta no plenário da mais alta corte do país.


Precisamos de um Judiciário técnico, sóbrio e imparcial, não de um palco para vinganças pessoais e jogadas políticas. Enquanto o Estado for usado para proteger os amigos e destruir os inimigos, não teremos paz, nem ordem, nem progresso. Cabe a nós, cidadãos atentos aos fatos, não aceitar esse teatro como normalidade.

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