Imagine a cena: um grupo organizado, insatisfeito com as políticas governamentais, força a entrada em um evento diplomático internacional, rompe barreiras de segurança, deixa trabalhadores feridos e invade a sala principal de negociações. Se os manifestantes estivessem vestindo verde e amarelo, já sabemos a manchete: "Terrorismo", "Golpe", "Atentado ao Estado Democrático de Direito". O STF já estaria expedindo mandados e a mídia tradicional estaria em polvorosa.
Mas, como o ocorrido foi na COP 30, em Belém, protagonizado pelo coletivo estudantil "Juntos" (ligado à Unicamp) e grupos indígenas, o silêncio das instituições é ensurdecedor. A realidade, meus caros, mais uma vez se impõe sobre a narrativa.
O que assistimos na capital paraense — sim, simbolicamente a capital do Brasil foi transferida para lá durante o evento — foi um episódio de violência real. Ao contrário das narrativas que tentam suavizar atos da esquerda, os fatos trazidos mostram que seguranças foram machucados e o patrimônio foi depredado. A "Sala Azul", coração das decisões diplomáticas com autoridades estrangeiras, foi tomada. A segurança foi ignorada e portas foram quebradas. Houve dano material e físico. No entanto, a indignação seletiva de Brasília parece estar em recesso.
Aqui entra a minha análise como engenheiro: vamos olhar para a estrutura do problema. Por que o tratamento é diferente? A resposta está na conveniência. O governo atual e o sistema judiciário aplicam a lei com dois pesos e duas medidas. Para eles, protesto violento só é crime se a pauta for conservadora ou liberarista. Quando o vandalismo vem embalado em discurso social, torna-se "expressão popular".
É fundamental, contudo, reconhecer uma ironia deliciosa neste episódio: a esquerda radical está expondo a farsa da esquerda "chique". Nisso, e apenas nisso, preciso concordar com os invasores: a COP 30 é, de fato, uma encenação inútil.
Estamos falando de um evento que reuniu uma fração dos chefes de estado esperados — um fracasso diplomático retumbante para quem prometeu "salvar o mundo". É a hipocrisia elevada à última potência: burocratas viajam em jatinhos particulares, queimando toneladas de combustível fóssil, para se reunirem em salas com ar-condicionado e decidirem que você, cidadão comum, não pode andar na sua moto velha ou comer carne. Gastam milhões, rasgam a floresta para construir estradas de acesso ao evento, tudo para produzir papéis que não têm impacto prático nenhum na temperatura do planeta.
O protesto, embora violento e condenável pela forma, acertou no conteúdo ao apontar a inutilidade dessas conferências. Até a imprensa internacional, que pouco ligou para o evento oficial, foi obrigada a noticiar o tumulto. Ficou evidente que nem a base ideológica do governo compra mais o discurso ambientalista de fachada.
Mas não se enganem. O governo Lula tolera e até "acha lindo" esse tipo de pressão quando o objetivo é inchar o Estado. O que esses manifestantes pedem? Mais demarcação, mais intervenção, mais verbas. É música para os ouvidos de quem quer um Estado gigante. O governo só se incomoda quando o povo vai às ruas pedir menos impostos, menos burocracia e mais liberdade. Pedir para o Estado crescer pode, mesmo que seja quebrando portas. Pedir para o Estado diminuir é "antidemocrático".
A lição que fica deste episódio é clara. Não se trata de proteger a democracia ou o patrimônio público; trata-se de manter o monopólio da narrativa. O fracasso da COP 30, marcado pela baixa adesão internacional e agora pela violência interna de seus próprios aliados, é o retrato de uma gestão que vive de imagem, mas tropeça na realidade.
Para nós, que valorizamos a ordem e a liberdade, resta a clareza de que a solução não virá de conferências globais ou de governos inchados. A solução climática real virá da tecnologia, da inovação e do mercado, não de canetadas de burocratas hipócritas. Enquanto isso, seguimos observando e apontando a hipocrisia de quem chama senhoras com bíblias de terroristas, mas trata invasores violentos como jovens idealistas. A realidade, felizmente, não aceita desaforo.
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