Enquanto a mídia tradicional brasileira se contorce em um espetáculo de falso patriotismo ofendido, a mensagem vinda do círculo de Donald Trump não poderia ser mais clara e direta. A declaração de Howard Lutnick, secretário de comércio americano, de que é preciso "consertar" as relações com o Brasil, Índia e Suíça, foi imediatamente distorcida para parecer uma afronta à nossa soberania. A realidade, no entanto, é um choque de pragmatismo que expõe a fragilidade e o desespero do atual governo brasileiro. A verdade é que o "conserto" exigido não é sobre tarifas ou balanças comerciais, mas sim sobre a restauração de liberdades fundamentais que estão sendo esmagadas no Brasil.
Vamos aos fatos, sem a contaminação da narrativa oficial. Lutnick foi explícito ao afirmar que esses países precisam "reagir corretamente aos Estados Unidos, abrir seus mercados e parar de tomar ações que prejudiquem" os americanos. A imprensa brasileira, em um esforço para proteger o governo, convenientemente ignora o porquê de o Brasil ter sido incluído nessa lista. O problema não é o abraço forçado entre Lula e Trump em um evento qualquer. O problema é a base sobre a qual qualquer relação de confiança precisa ser construída.
Para a Índia, a questão é sua contínua compra de petróleo russo, financiando a máquina de guerra de Putin. Para a Suíça, são as velhas questões de sigilo bancário e patentes. E para o Brasil? O recado, que já havia sido formalizado em uma carta de Trump em 9 de julho, é cristalino e tem dois pilares inegociáveis: o fim da censura nas redes sociais e o término da caça às bruxas judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O governo e seus porta-vozes na mídia sabem disso. A demanda americana não é um capricho, mas uma condição fundamental para qualquer negociação futura. Eles sabem que, para os Estados Unidos, é impossível tratar como um parceiro confiável uma nação onde a liberdade de expressão é suprimida por ordem judicial e onde um ex-presidente, líder da oposição, é alvo de uma perseguição implacável. A tentativa de reduzir a fala de Lutnick a uma simples disputa por tarifas é uma manobra de desinformação para esconder a verdadeira humilhação: o Brasil está sendo tratado como um país que precisa corrigir seus desvios autoritários antes de poder se sentar à mesa dos adultos.
A hipocrisia é gritante. O mesmo governo que se diz defensor da democracia promove a censura e assiste calado à perseguição de seus opositores. E a mídia que deveria fiscalizar o poder, gasta seu tempo e tinta para criar uma narrativa de vítima, como se a cobrança por liberdade e justiça fosse uma ofensa. Eles tentam vender a imagem de que o "mercado americano" é a cenoura que está sendo oferecida, quando, na verdade, o que está em jogo é a própria alma da nossa democracia.
As tarifas de importação brasileiras, que tornam um simples celular absurdamente mais caro aqui do que em Miami, são de fato um problema. Um iPhone no Brasil não é caro por causa do dólar; é caro por causa de uma montanha de impostos que o governo impõe para sustentar a máquina pública. Essa é uma discussão comercial legítima e necessária. Contudo, o que o time de Trump está dizendo é que essa conversa sobre dinheiro só pode começar depois que a conversa sobre princípios for resolvida. Primeiro, restaurem as liberdades. Depois, falamos de negócios.
O desespero do governo Lula em se aproximar de Trump, acreditando que uma conversa amigável resolveria tudo, revela uma profunda falta de compreensão da realidade geopolítica. Eles acham que a política internacional se resolve com sorrisos e afagos, mas o mundo real é um tabuleiro de xadrez estratégico. Trump não encurralou Lula para humilhá-lo, mas para deixar claro que a bola está com o Brasil. Querem acesso ao maior mercado consumidor do mundo? Querem ser vistos como um parceiro sério? Então, ajam como tal. Parem de censurar seu povo e parem de usar o sistema de justiça como uma arma política.
A solução para o Brasil não é se ofender com a verdade, mas encará-la. O "conserto" de que fala Howard Lutnick é a chance de o Brasil se realinhar com os valores ocidentais de liberdade e democracia. É como um motorista que foi pego na contramão: não adianta culpar a sinalização ou o guarda de trânsito. É preciso reconhecer o erro, dar meia-volta e seguir o fluxo correto. Enquanto o governo insistir em dirigir na contramão da liberdade, continuará sendo visto como um problema a ser "consertado". A revolução que o Brasil precisa não é de armas, mas de mentalidade: a de parar de engolir narrativas e começar a exigir a realidade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário