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sexta-feira, 17 de outubro de 2025

O Apagão Afegão: Um Espelho Inquietante para o Brasil

 
O Apagão Afegão: Um Espelho Inquietante para o Brasil

A internet no Afeganistão foi cortada pelo Talibã por 48 horas, em uma ação que eles justificaram como "combate a atos de moralidade". Mas a realidade, como sempre, é mais dura que a narrativa. Não foi uma "manutenção", como tentaram fazer crer depois, mas uma repressão cultural em massa. Um pesadelo que se tornou real, e que serve de alerta para o Brasil.


A verdade é que a internet não é mais um luxo; é o motor da vida moderna. Quando o Talibã puxou a tomada, não apenas o acesso à informação sumiu. A telefonia celular parou, a televisão silenciou, os bancos congelaram. Foi o caos. A economia, já frágil, parou de girar. As pessoas não compravam, não vendiam, e a falta de produtos nos mercados começou a virar uma bomba-relógio. Mesmo num país como o Afeganistão, onde o acesso à rede não é universal como aqui, o impacto foi devastador. Eles viram que "deu merda" e foram obrigados a religar, ainda que parcialmente. A realidade se impôs à ideologia.


Essa história nos mostra algo crucial: a internet é o calcanhar de Aquiles de qualquer Estado controlador. É por isso que governos que sonham com o monopólio da informação detestam ferramentas como a Starlink. Enquanto a rede por fibra pode ser cortada no chão, a Starlink se conecta diretamente com satélites lá no alto. É a liberdade transmitida do espaço, um bypass para a censura estatal. Não à toa, os líderes do Talibã estão caçando quem usa a Starlink, chamando-a de "internet dos infiéis e dos americanos". Para eles, é a "internet do Elon Musk", e a veem como uma ameaça à sua agenda de controle.


E aqui entra a pecinha estragada de muitos por aqui. Há quem, no Brasil, em posições de poder, olhe para esse cenário e sonhe em replicar a receita. Quantas vezes já ouvimos o lamento de que "antes das redes sociais era tão bom, antes da internet a gente podia andar na rua que ninguém criticava a gente"? Essa fala, atribuída a um membro da nossa Suprema Corte, revela a nostalgia de um tempo onde a narrativa era controlada por poucos, e o dissenso era abafado. Mas esse mundo acabou. A internet descentralizou a informação e empoderou o cidadão comum.


O perigo é real. Não duvido que alguns planejem em algum momento controlar ou fechar a internet no Brasil. E aí, a hipocrisia se revela. Aqueles que aplaudem prisões políticas e caluniam adversários sem provas, são os mesmos que sonham em calar a voz do povo. O objetivo é sempre o mesmo: assassinar reputações e sufocar a liberdade de expressão. Mas o que o Afeganistão provou é que tentar cortar a internet em uma sociedade moderna é suicídio. A vida, o comércio, a comunicação, tudo está entrelaçado na rede.


É um erro crasso e um perigoso precedente, vindo tanto de extremistas religiosos lá fora quanto de “moralistas” de ocasião por aqui, que defendem cortar plataformas como o TikTok sob o pretexto de combater a "imoralidade". Censura, seja de direita ou de esquerda, é sempre um veneno. É ruim para a sociedade, para a economia e, acima de tudo, para a liberdade. O código moral deve ser uma escolha individual, um conselho, não uma imposição estatal. Dar a um grupo o poder de impor regras morais a toda a sociedade é desandar para um caminho pior que a própria esquerda no poder, pois abre a porta para o controle absoluto e a tirania.


Enquanto o Talibã, um regime fundamentalista, percebeu mais rápido o desastre e voltou atrás em 48 horas, no Brasil, a proibição de plataformas como o X (antigo Twitter) por decisões unilaterais já prejudicou muita gente. Isso só mostra a diferença entre um regime que, apesar de tudo, ainda reage à realidade, e a conduta de um "psicopata" que destrói o país e não se importa com as consequências.


A internet é um pilar da prosperidade moderna e da livre iniciativa. Ela é a praça pública global onde a população conversa, troca informações e se organiza. Quem sonha em silenciar a rede, sonha em silenciar o povo. Mas, como no Afeganistão, a realidade vai se impor. A internet já está tão entranhada na nossa vida que cortá-la é inviável, gera caos e revolta.


É hora de uma revolução mental. Questionar, rejeitar narrativas prontas e pensar de forma estratégica e independente. Não podemos permitir que o Brasil caminhe para um cenário de controle e censura que nem regimes repressivos conseguem sustentar a longo prazo. A liberdade de expressão, a livre iniciativa e um Estado mínimo e eficiente são a base para um país próspero e seguro.

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