A sensação de que o cidadão de bem está desprotegido tornou-se uma realidade inegável e assustadora. Enquanto famílias trabalham e constroem o futuro do país, uma estrutura paralela ganha acesso às ferramentas mais poderosas do Estado, criadas justamente para nos proteger. O problema não é mais uma bala perdida ou um assalto na esquina; é a constatação de que o crime organizado sentou-se na cadeira do governo, comprou a senha do sistema e agora monitora cada passo de quem deveria combatê-lo. A revelação de que a maior facção criminosa do país, o PCC, utilizou o sistema Córtex do Ministério da Justiça para rastrear e perseguir autoridades como o senador Sergio Moro não é apenas um escândalo de segurança, é a falência de um modelo de Estado que se provou incapaz de guardar os próprios segredos.
Vamos desconstruir a narrativa oficial, aquela que sempre nos é apresentada após um desastre. A "abordagem tradicional" consiste em vender a ideia de que a centralização de dados em um supercomputador em Brasília é a solução definitiva para a segurança pública. A promessa é a de um Estado onipresente e eficiente, que cruza informações de placas de veículos, registros policiais e até movimentações financeiras para prender bandidos em tempo real. A ideia, em si, não é ruim. O problema é que ela ignora o fator mais corrosivo do poder público brasileiro: a incompetência crônica e a total ausência de responsabilidade. O que vemos na prática é a transformação de um escudo em uma arma apontada contra o próprio povo.
A análise crítica da narrativa predominante, repetida à exaustão, aponta para um "vilão conveniente": a "falha de segurança" ou o "ataque hacker". Essa é a cortina de fumaça para desviar o foco da causa real. O problema não é o hacker; o problema é a porta deixada aberta, a fechadura vendida a preço de banana. Como é possível que o acesso a um sistema que contém a vida de todos os brasileiros – de dados biométricos a sigilo bancário – seja comercializado na Dark Web por valores irrisórios como R$ 45,00 por um acesso mensal? Como um governo que promete combater o crime permite que seus instrumentos mais estratégicos sejam usados pela maior facção do país para planejar ataques contra um senador e um promotor de justiça? A insistência em centralizar ainda mais o poder, como propõe a PEC da Segurança Pública, soa como uma piada de mau gosto. Se não conseguem proteger o que já têm, por que o cidadão deveria confiar-lhes ainda mais poder?
A tese central que emerge dessa análise é clara e direta: o verdadeiro inimigo da segurança do brasileiro não é apenas o PCC, mas o Estado inchado, ineficiente e amador que, com sua obsessão por controle, cria as ferramentas perfeitas para o crime. A falta de rastreabilidade e de mecanismos de controle sobre quem acessa informações tão sensíveis não é um descuido, é um sintoma da displicência com que a segurança do cidadão é tratada. Quando o Ministro da Justiça anuncia que vai "avaliar a segurança" do sistema depois que ele já foi completamente violado, está apenas encenando um teatro para as câmeras. A verdade é que a estrutura está podre por dentro.
A solução não está em dar mais poder e mais dados ao mesmo aparato que já provou ser um fracasso. A solução real se baseia em princípios de liberdade com responsabilidade e descentralização. Em vez de um único "super-sistema" vulnerável, precisamos de segurança robusta, com auditorias constantes e, acima de tudo, punição exemplar para os funcionários públicos responsáveis por essas falhas. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) multa empresas privadas que vazam dados, mas parece convenientemente esquecer dos órgãos estatais, os maiores vazadores de informações do país. A solução é simples: um funcionário responsável por uma falha dessa magnitude não deve responder a um mero processo administrativo; ele deve ser exonerado e responder criminalmente. A analogia é poderosa: entregar a gestão da segurança a esse governo é como dar a chave do cofre do banco a um ladrão conhecido e esperar que ele proteja o seu dinheiro.
A chamada final não é para ir às ruas, mas para uma revolução mental. É hora de o cidadão rejeitar a narrativa simplista de um Estado-pai que tudo resolve. É preciso questionar cada proposta de centralização de poder e exigir, em vez de promessas vazias, responsabilidade real e transparência. A segurança da nossa família e da nossa pátria depende disso.
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