A crescente hostilidade contra figuras do poder não é mais um evento isolado, confinado aos bastidores de Brasília. Tornou-se uma realidade palpável no cotidiano dos brasileiros, um sintoma claro do abismo que hoje separa a classe política da população. O recente episódio envolvendo o ministro Flávio Dino, abordado por uma passageira indignada durante um voo de São Luís para a capital federal, é a mais recente manifestação desse divórcio. O que leva um cidadão comum a confrontar uma das figuras mais poderosas da República em um ambiente público? A resposta não está no ato em si, mas no sentimento de angústia e revolta que milhões de famílias sentem ao verem o rumo que o país tomou, onde a justiça parece ter lado e a liberdade de expressão é tratada como crime.
A Narrativa da Criminalização do Cidadão
A abordagem tradicional para eventos como este é previsível e busca simplificar a questão. A narrativa oficial, rapidamente ecoada por parte da imprensa, tenta enquadrar a passageira como uma "agressora", uma extremista que ameaçou a ordem. Essa é a "solução superficial": transforma-se a vítima de um sistema percebido como opressor em vilã, e o representante desse mesmo sistema em vítima de um ataque. A realidade, contudo, é muito mais complexa. O que ocorreu naquele avião foi menos uma agressão e mais um desabafo. A passageira não usou de violência física; ela usou palavras, as mesmas que são garantidas pela Constituição, para questionar o ministro sobre o comunismo e afirmar que a presença dele ali "contaminava" o ambiente. A reação do aparato estatal foi a de sempre: a mulher foi retirada do voo e levada para prestar depoimento na delegacia. O cidadão que questiona é tratado como um caso de polícia.
A análise crítica dessa narrativa predominante revela sua falha fundamental. Ao focar no suposto "crime" da cidadã, desvia-se o foco do verdadeiro problema: a crescente percepção de que ministros do governo e do STF agem de forma autoritária, erodindo as liberdades individuais e o devido processo legal. O "vilão conveniente" – a mulher no avião – serve para que as verdadeiras causas da insatisfação popular não sejam debatidas. Mas a lógica do bom senso nos obriga a fazer as perguntas que a narrativa oficial ignora. Por que um ministro da mais alta corte precisa de seguranças em um voo comercial? Será que a revolta popular é espontânea ou é uma reação direta a ações que são vistas como injustas e ilegítimas? Se o povo está tão satisfeito, por que essas figuras públicas não conseguem mais andar livremente entre aqueles que deveriam servir?
A Tese da Expulsão Social
Após demolir a narrativa da conveniência, a conclusão é inevitável. O verdadeiro inimigo não é a cidadã que se manifesta, mas a arrogância de um poder que se recusa a ouvir a voz das ruas. O que estamos testemunhando é um fenômeno de "expulsão social". Figuras como Flávio Dino, Alexandre de Moraes e outros membros do establishment político e judiciário estão, na prática, presos. Podem ter o poder institucional para prender opositores, como tentam fazer com Bolsonaro, mas perderam algo muito mais valioso: a legitimidade e o respeito da sociedade. Eles não podem mais frequentar uma praia, um parque ou um restaurante sem serem confrontados pela realidade que tentam ignorar. Essa é uma prisão sem grades, mas cujos muros são a animosidade e o repúdio de um povo que não se sente representado.
A solução para essa crise de legitimidade não virá com mais repressão ou com a censura das redes sociais. A solução está no resgate de princípios inegociáveis: a liberdade de expressão, a responsabilidade individual dos agentes públicos e o fim do ativismo judicial. Pense no Brasil como uma panela de pressão. O governo e o STF, ao tentarem silenciar as críticas, estão fechando a válvula de escape. A pressão interna só aumenta, e o resultado são explosões de indignação nos lugares mais inesperados, como a 30 mil pés de altura. A única forma de aliviar essa pressão é permitir que a válvula funcione, ou seja, que o debate seja livre e que o poder volte a temer o julgamento do povo.
Portanto, a chamada final não é para a ação física, mas para uma revolução mental. É preciso que cada cidadão rejeite as narrativas simplistas que criminalizam a indignação e passe a enxergar esses episódios como o que realmente são: o termômetro de uma nação que está no seu limite. É hora de questionar o status quo, defender os princípios da liberdade e lembrar àqueles que estão no poder que eles são servidores públicos, não monarcas absolutistas. A verdadeira mudança começa quando a sociedade para de aceitar o inaceitável.
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