A execução a sangue frio do delegado aposentado Rui Ferraz Fontes, em São Paulo, não é apenas mais um número na estatística da violência. É um soco no estômago da sociedade, um recado direto e debochado do crime organizado para cada cidadão de bem deste país. O recado é claro: “Nós mandamos. Nós decidimos quem vive e quem morre. E o Estado, que deveria proteger seus heróis, vai apenas assistir.” Este sentimento de abandono, de que as prioridades estão invertidas, é o que angustia as famílias brasileiras que trabalham, pagam seus impostos e esperam o mínimo de segurança para viver. O que vemos é a materialização do medo: se um homem que dedicou a vida a combater o crime mais perigoso é deixado para morrer, o que resta para o cidadão comum?
A trajetória de Rui Ferraz Fontes se confunde com a própria história do combate ao PCC. Ele não era um policial qualquer; era considerado o "inimigo número um" da facção, o homem que colocou atrás das grades lideranças como Marcola. Por anos, viveu sob juramento de morte, uma sentença decretada pelos criminosos. Enquanto esteve na ativa, contava com a proteção da corporação. Mas, ao se aposentar e assumir um cargo civil como secretário na prefeitura de Praia Grande, Fontes foi largado à própria sorte. Ele sabia do risco. Ele verbalizou a sua preocupação: “Eles sabem onde eu moro”. A resposta do Estado foi o silêncio. A consequência foi uma emboscada cinematográfica, uma perseguição que terminou com seu carro prensado entre dois ônibus e seu corpo crivado de balas. Uma clara demonstração de poder, uma vingança executada sem pressa e à luz do dia.
Diante de um fato tão brutal, surge a "narrativa da conveniência", repetida para acalmar os ânimos. Ouve-se que "o caso está sendo investigado", que "os culpados serão punidos" e que a situação é um "problema pontual". Essa é a solução superficial, um analgésico para uma doença terminal. Ela desvia o foco do problema real, que é sistêmico. O vilão conveniente dessa narrativa é o crime em si, como se fosse uma entidade abstrata, sem causa e sem facilitadores. Ignora-se que a audácia dos criminosos é diretamente proporcional à fraqueza e à cumplicidade do Estado.
É preciso usar a lógica do bom senso para demolir essa fantasia. Como chegamos ao ponto em que uma facção criminosa se sente confortável para caçar e executar um dos maiores símbolos do seu combate? Que mensagem isso envia aos delegados e policiais que hoje estão na linha de frente, arriscando suas vidas? A mensagem é de intimidação. É um aviso para que não ousem ir longe demais, pois o mesmo destino os aguarda, e o Estado que eles defendem lhes virará as costas. O recado é que, no final das contas, o crime compensa.
Aqui, a tese central se torna inescapável: a execução de Rui Fontes não é um ataque apenas a um homem, mas ao próprio Estado de Direito. E o Estado se torna cúmplice quando inverte suas prioridades. Enquanto gasta uma energia colossal para perseguir adversários ideológicos, para monitorar postagens em redes sociais e para punir cidadãos por crimes de opinião, ele deixa o campo aberto para organizações que aterrorizam, matam e controlam territórios. Um governo que se recusa a classificar o PCC como a organização terrorista que de fato é, está, na prática, escolhendo um lado. E não é o lado do cidadão.
A solução não está em mais discursos vazios ou em operações policiais midiáticas que duram uma semana. A solução exige uma mudança de mentalidade, uma "revolução mental" na forma como o Brasil enxerga a segurança pública. O primeiro passo é nomear os inimigos. Facções como o PCC não são "grupos criminosos", são exércitos narco-terroristas e devem ser tratados com a força correspondente. O segundo passo é garantir que a proteção aos seus agentes seja uma política de Estado, não um favor. Deixar um delegado como Rui Fontes sem escolta após a aposentadoria é como enviar um soldado para a guerra e, ao final da batalha, abandoná-lo ferido no campo inimigo. É uma traição.
Portanto, a chamada à ação é para a mente de cada brasileiro. É hora de rejeitar as narrativas simplistas que tentam nos confundir. É hora de questionar por que o poder público parece mais preocupado em nos dividir com pautas ideológicas do que em nos unir contra o nosso verdadeiro inimigo: o crime que destrói famílias e assalta o nosso futuro. A morte de Rui Ferraz Fontes precisa servir não para nos intimidar, mas para despertar a cobrança por um Estado que finalmente cumpra seu dever mais básico: a defesa da ordem e da vida.
#SegurançaJá #FalhaDoEstado #PCCNuncaMais
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