A recente e custosa viagem de uma comitiva com mais de cem empresários brasileiros aos Estados Unidos, em uma tentativa de reverter sobretaxas comerciais, expôs uma realidade incontornável que muitos no Brasil insistem em ignorar: os problemas econômicos que hoje afligem o país não serão resolvidos com planilhas ou negociações técnicas, pois sua raiz é estritamente política. O esforço da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que envolveu a contratação de uma caríssima empresa de lobby em Washington, resultou em um balde de água fria e um recado claro do governo americano: a solução para o impasse está em Brasília, não na capital dos Estados Unidos.
Esta situação ilustra perfeitamente a angústia que paira sobre a sociedade. Enquanto o cidadão comum se esforça para manter seu negócio funcionando e sua família segura, e o setor produtivo busca caminhos para gerar empregos e riqueza, as decisões tomadas nos altos escalões do poder em Brasília criam obstáculos que travam o desenvolvimento do país. A viagem dos empresários é um sintoma claro desse descompasso. Eles seguiram a "abordagem tradicional", acreditando que o diálogo comercial direto e a apresentação de argumentos técnicos seriam suficientes para resolver a questão das tarifas. Contrataram especialistas, marcaram reuniões de alto nível e foram preparados para discutir números, mas deram de cara com a parede da realidade geopolítica.
A narrativa predominante, muitas vezes ecoada por parte da imprensa, tenta enquadrar a situação como uma simples disputa comercial, criando o "vilão conveniente" do protecionismo americano. Essa visão superficial serve para desviar o foco da verdadeira causa do problema: a instabilidade jurídica e a percepção internacional de que o Brasil vive um momento de perseguição política. O número dois do Departamento de Estado americano, Christopher Landau, foi direto ao ponto ao afirmar que as sobretaxas são uma resposta política à "caça às bruxas" contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e às decisões do ministro Alexandre de Moraes, especialmente no que tange à censura nas redes sociais.
Aqui, a lógica se impõe e nos leva a uma série de questionamentos. Faz sentido que uma nação soberana como os Estados Unidos condicione suas relações comerciais a fatores internos de outro país? A resposta é sim, quando esses fatores internos representam uma quebra das regras democráticas e da segurança jurídica que fundamentam as relações internacionais. Por que o governo americano se importaria com um processo judicial contra um ex-presidente brasileiro a ponto de tomar medidas econômicas drásticas? Porque, do ponto de vista externo, o que está acontecendo não é visto como um processo legal comum, mas como uma manobra para eliminar um adversário político, algo que acende um alerta para qualquer democracia ocidental.
A tese central, portanto, é inevitável: o Brasil está pagando um preço econômico altíssimo pela politização de suas instituições, em especial do Judiciário. O "inimigo" do progresso e da estabilidade não é uma tarifa imposta por outro país, mas a desordem interna gerada por decisões que atropelam o devido processo legal e corroem a liberdade de expressão. O recado de Christopher Landau, repetindo o que analistas como Paulo Figueiredo já haviam alertado, é que a missão dos empresários seria mais eficaz se eles pressionassem as autoridades em Brasília. A chave para destravar a economia não está em Washington, mas no Congresso Nacional, através da aprovação de uma anistia que pacifique o país e restabeleça a normalidade institucional.
A solução é, portanto, política. Tentar resolver um problema político com ferramentas comerciais é como tentar apagar um incêndio com um copo d'água. É preciso ir à raiz da questão. O Congresso brasileiro tem o poder e o dever de agir, aprovando a anistia para encerrar o que é visto internacionalmente como uma perseguição. Mesmo que o presidente Lula vete, os parlamentares podem derrubar o veto e, posteriormente, caberá à maioria do STF acatar a decisão soberana do Legislativo, pacificando a situação.
O chamado final não é para que as pessoas saiam às ruas, mas para uma revolução mental. É preciso que cada cidadão compreenda que a fatura da instabilidade política chega ao seu bolso, seja na inflação, no desemprego ou na falta de oportunidades. É hora de rejeitar as narrativas simplistas que culpam fatores externos e cobrar de nossos representantes em Brasília a única atitude que pode resolver o impasse e devolver o Brasil à rota da prosperidade: a restauração da ordem, da justiça e da segurança jurídica.
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