Sentinelas

Sentinelas
"Não basta enxergar a verdade. É preciso defendê-la."

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

A agressão política e a falha do diálogo: quando o cuspe e o porrete substituem a razão?

A agressão política e a falha do diálogo: quando o cuspe e o porrete substituem a razão?


A polarização que assola o Brasil não é novidade, mas a forma como ela se manifesta e é interpretada escancara um problema que corrói as bases da nossa convivência: a escalada da violência política e, pior, a hipocrisia na hora de condená-la. A agressão a uma mulher em ambiente universitário, descrita por seu marido como um ato de covardia, é um espelho dessa realidade. Cidadãos comuns, que deveriam ter suas diferenças debatidas em um campo de ideias, veem o cotidiano sendo invadido por atos reprováveis, onde a lógica cede lugar à fúria. Essa atmosfera de intolerância não só sufoca a esperança de um futuro mais justo, mas também distorce a percepção do que é certo e errado, empurrando a sociedade para um abismo de desconfiança e ressentimento. Atinge diretamente as famílias, que assistem impotentes à degradação do debate público, e ameaça o próprio alicerce de um país que se pretende democrático.


A forma como incidentes de violência política são tratados expõe a "narrativa da conveniência", uma abordagem tradicional que se mostra falha e cheia de contradições. Por um lado, condena-se veementemente a agressão a uma mulher, um ato que, sem dúvida, é repudiável e éticamente indefensável. O ato de cuspir em alguém, de chamar de "lixo comunista", é uma agressão física clara. No entanto, a mesma voz que se levanta para condenar esse ato, muitas vezes se cala diante de outras formas de violência política, ou até mesmo as justifica. Essa "solução superficial" ignora a complexidade do problema e falha em aplicar um padrão ético consistente.


A "lógica do bom senso" nos obriga a questionar a narrativa predominante, que muitas vezes cria um "vilão conveniente" para desviar o foco de problemas estruturais. A mídia tradicional e certos grupos, ao noticiar o cuspe, rapidamente atribuem a culpa a uma "extrema direita radical" e a "apoiadores de uma figura política específica", sem sequer ter provas concretas da motivação do agressor. Essa abordagem serve para reforçar uma demonização preexistente, mas ignora o que realmente está por trás do problema.


É razoável condenar um ato, mas ignorar a ausência de provas sobre a motivação? É justo crucificar uma pessoa pelas supostas ações do pai, como se a culpa fosse hereditária? Se a agressão física é condenável, por que a agressão que impede palestras e o cerceamento da liberdade de expressão em uma universidade, com empurrões e ameaças, não recebe a mesma condenação veemente? Será que a violência de um lado é sempre mais grave que a violência do outro? A universidade, que deveria ser um palco de ideias diversas, virou um campo de batalha ideológico onde uns podem falar e outros são silenciados à força? Como podemos construir um diálogo quando a balança da condenação pende para um lado, de acordo com a conveniência política do momento?


Após essa análise criteriosa, a tese central se impõe: a verdadeira raiz do problema é a subversão da lógica e da ética em nome da ideologia. O "inimigo" não é este ou aquele grupo político, mas a hipocrisia que permite a uns condenar atos violentos de seus adversários enquanto relativizam ou ignoram atos similares de seus aliados. Essa desonestidade intelectual mina a confiança no debate público e impede qualquer avanço real.


A solução para essa crise não é complexa, mas exige um compromisso inabalável com princípios. Primeiramente, a "ética da não-agressão" deve ser universal. Nenhuma divergência ideológica, por mais profunda que seja, justifica a agressão física. Criticar, debater e até denunciar são direitos legítimos, mas agredir é um erro grave, tanto ético quanto estratégico. Em segundo lugar, a "liberdade de expressão irrestrita" em ambientes como a universidade é fundamental. A universidade, que deveria ser um jardim de ideias florescendo livremente, não pode se tornar um campo minado de intolerância, onde a militância proíbe o debate de temas diversos à força.


A analogia é clara: a política não pode ser uma partida de futebol onde vale tudo para vencer. A civilidade é o campo, as regras são a ética e a constituição, e o objetivo é construir um país melhor, não destruir o adversário.


Portanto, convoco a cada cidadão de bem a uma "revolução mental". Rejeite as narrativas simplistas que buscam bodes expiatórios convenientes. Questione o status quo quando a condenação da violência é seletiva. Exija coerência e princípios, independente do lado. A defesa da família, da pátria, da ordem e da segurança passa, antes de tudo, pela defesa da razão e da ética no debate público. Não podemos permitir que o Brasil se afunde em uma guerra onde a verdade é a primeira vítima e a intolerância, a única vitoriosa.


#CoerênciaJá #FimDaHipocrisia #LiberdadeDeExpressão 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O FRACASSO DA AGENDA ESTATISTA E O RETORNO DA DESIGUALDADE EM 2025

  A realidade é um juiz implacável e ela acaba de proferir sua sentença sobre o modelo econômico atual: a desigualdade no Brasil voltou a su...