Sentinelas

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"Não basta enxergar a verdade. É preciso defendê-la."

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Proibir as gigantes da tecnologia é o caminho para o Brasil virar uma China, com o governo controlando tudo o que você faz?

A ideia de que o Brasil precisa se fechar para o mundo para crescer está de volta, mas agora com uma nova roupagem: a de proteger nossa tecnologia. Discute-se, nos corredores do poder e em certas reportagens, que pagar por serviços de empresas estrangeiras, as chamadas ""big techs"", impede o avanço de soluções nacionais. A proposta, vendida como um ato de patriotismo econômico, é a de criar um ecossistema digital brasileiro, um ""YouTube BR"", um ""WhatsApp verde e amarelo"". No entanto, essa conversa, que parece nova, é apenas o eco de um dos maiores fracassos da nossa história. Ela ignora que essa receita já foi testada e o resultado foi um desastre que atrasou o país por décadas, e que, no fundo, a verdadeira intenção pode não ser o progresso, mas o controle absoluto sobre o que os brasileiros pensam, falam e consomem na internet.


Todo brasileiro conhece a sensação de trabalhar duro, de ralar muito, e ver o fruto do seu esforço não render como deveria. A gente se esforça, sonha com um futuro melhor para a família, mas parece que estamos sempre correndo atrás, que as coisas são mais difíceis e mais caras do que deveriam ser. Pagamos impostos altíssimos na esperança de ter bons serviços, mas o que recebemos em troca é, muitas vezes, de baixa qualidade. Existe uma angústia coletiva, um sentimento de que, por mais que a gente tente, o Brasil não consegue dar o salto de qualidade que tanto esperamos. Vemos outros países avançando, a tecnologia facilitando a vida das pessoas, e nos perguntamos: por que aqui é sempre mais complicado? Por que a solução apresentada pelo governo é quase sempre nos proibir de ter acesso ao que há de melhor no mundo, em vez de criar condições para que a gente possa competir de igual para igual?


Essa discussão sobre proibir as big techs para ""desenvolver o Brasil"" toca exatamente nessa ferida. Para quem viveu a década de 80, a lembrança é imediata e dolorosa. Naquela época, o governo decidiu que o Brasil teria uma indústria de computadores nacional e, para isso, criou a famosa ""Lei da Informática"". O que ela fazia? Proibia a importação de computadores estrangeiros. A narrativa oficial era linda: íamos criar uma potência tecnológica, gerar empregos e sermos autossuficientes. O resultado prático, no entanto, foi uma tragédia. O que se viu foi a proliferação de cópias de baixa qualidade de produtos americanos. Empresas como Cobra e Itautec vendiam computadores que não eram apenas caríssimos, mas também tecnologicamente atrasados. [00:00:55.079] Um computador ""nacional"" custava até seis vezes mais do que um similar americano. [00:03:29.280] E como eles eram cópias, chegavam ao mercado com anos de atraso em relação aos originais. [00:04:05.200]


O que o brasileiro fez? O que sempre faz quando o Estado lhe impõe uma solução ruim e cara: ele deu um jeito. O contrabando vindo do Paraguai virou a única alternativa para quem precisava de tecnologia de verdade. [00:01:02.399] E não estamos falando de um ou dois casos isolados. A própria Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), um centro de excelência, usava computadores contrabandeados em seus laboratórios de pesquisa, porque os modelos ""nacionais"" simplesmente não serviam. [00:03:44.159] Eram caros, ruins e atrasados. A Lei da Informática não criou uma indústria forte; ela criou uma reserva de mercado para empresários que vendiam produtos de segunda linha a preços de primeira, e forçou o resto do país a viver no atraso tecnológico ou a se tornar contrabandista.


Agora, querem repetir a mesma fórmula. A narrativa oficial mudou de nome, mas a lógica é idêntica. O vilão da vez são as ""big techs"" americanas. O argumento é que o Brasil ""paga bilhões"" para essas empresas [00:00:15.360] e que esse dinheiro impede o desenvolvimento de um ""WhatsApp BR"" [00:04:34.400] ou de um ""YouTube BRAS"". [00:02:09.119] Eles convenientemente desviam o foco do verdadeiro problema. O culpado não é a empresa estrangeira que oferece um serviço bom e eficiente, que o brasileiro escolhe usar por livre e espontânea vontade. O verdadeiro culpado, hoje como na década de 80, é a mentalidade estatal que acredita que a proibição e a reserva de mercado são o caminho para o desenvolvimento. É uma visão que despreza a capacidade do brasileiro de competir e inovar, e que trata o cidadão como uma criança que precisa ser tutelada pelo governo.


Vamos usar a lógica para desmontar essa narrativa. Se o protecionismo tecnológico fosse a solução, por que o resultado da Lei da Informática foi um fracasso retumbante? Se a competição com empresas estrangeiras é o que impede o Brasil de inovar, como explicamos o surgimento de tantas startups brasileiras de sucesso em setores abertos e competitivos? A narrativa que eles nos contam não se sustenta diante dos fatos. E aqui entra a parte mais perigosa dessa história. Para justificar essa ideia, eles apontam para dois modelos de ""sucesso"": China e Rússia. [00:01:35.640] É verdade que esses países conseguiram eliminar as big techs americanas de seus territórios e criar seus próprios ecossistemas digitais. A pergunta que a narrativa oficial não faz é: por quê?


Será que a China e a Rússia fizeram isso para promover a livre concorrência e a inovação? A resposta é um sonoro ""não"". Eles fizeram isso para controlar a população. [00:01:52.880] O ""YouTube chinês"" e o ""WhatsApp russo"" são ferramentas de vigilância e censura em massa. Nesses aplicativos, o governo sabe tudo o que o cidadão faz, com quem ele fala e o que ele pensa. [00:09:04.040] Qualquer crítica ao regime é imediatamente deletada, e o autor, punido. O objetivo nunca foi econômico; foi sempre político. Foi criar um ""Grande Firewall"", uma muralha digital para impedir que o povo tivesse acesso a informações livres e para garantir que o Partido Comunista ou o Kremlin tivessem o monopólio da verdade. É este o modelo que eles admiram? É isso que querem para o Brasil?


A tese, portanto, se torna clara como a luz do dia: a tentativa de criar um ecossistema tecnológico ""nacional"" através da proibição de empresas estrangeiras não é um projeto de desenvolvimento, mas um projeto de poder. É a porta de entrada para a censura e o controle social em uma escala que o Brasil jamais viu. Um ""WhatsApp BR"", controlado por uma estatal ou por uma empresa ""amiga do governo"", seria a ferramenta perfeita para o Estado bisbilhotar a vida de cada cidadão. [00:05:04.520] Hoje, o governo brasileiro não consegue ter acesso às suas conversas no WhatsApp. Em uma versão nacional, ele não só conseguiria, como o sistema seria desenhado para isso. Eles vendem a ideia de ""soberania nacional"", mas o que entregam é a soberania do Estado sobre o indivíduo. O inimigo não é a tecnologia estrangeira; o inimigo é a ideologia autoritária que vê a liberdade do cidadão como uma ameaça.


A solução concreta para o Brasil avançar na tecnologia é o exato oposto do que propõem. Não se constrói um campeão mundial de natação esvaziando a piscina e o proibindo de competir. Você o faz treinando-o nas melhores condições e colocando-o para disputar com os melhores do mundo. A solução para o Brasil é a liberdade. É desburocratizar, cortar a carga tributária absurda que sufoca qualquer empresa [00:03:22.280] e garantir segurança jurídica para quem quer investir e inovar. É abrir o mercado e deixar o brasileiro competir. Nós temos criatividade e talento de sobra. O que nos falta são as condições para transformar esse talento em resultados. Em um ambiente de livre mercado, não apenas teríamos acesso às melhores tecnologias do mundo a preços justos, como também veríamos o surgimento de soluções brasileiras genuinamente inovadoras, não cópias de segunda mão impostas por lei.


Portanto, a chamada aqui não é para ir às ruas, mas para uma revolução mental. É um convite para que cada brasileiro rejeite essa narrativa simplista e perigosa do ""nós contra eles"". É hora de questionar quem realmente se beneficia com o isolamento do Brasil. Não são os cidadãos, que seriam forçados a usar serviços piores e mais caros. Não são os verdadeiros inovadores, que prosperam na competição. Os únicos que ganham com o protecionismo são os políticos que querem mais poder e os empresários que não conseguem competir em um mercado livre. Defenda a sua liberdade de escolher quais aplicativos usar, quais notícias ler e com quem conversar. A liberdade digital é um dos pilares da democracia no século XXI. Não podemos permitir que, a pretexto de um nacionalismo falso, nos levem de volta a um passado de atraso e nos empurrem para um futuro de controle.


#LiberdadeDigital

#ProtecionismoNão

#BrasilSemCensura"


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