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segunda-feira, 25 de agosto de 2025

Governo Contava com a Vitória, mas Como a Oposição Virou o Jogo na Calada da Noite na CPMI do INSS?

 


A derrota acachapante do governo na instalação da CPMI do INSS é a materialização de um problema que vai muito além de uma simples disputa por cargos: a perigosa arrogância de quem acredita ter o controle absoluto do poder. Para o cidadão comum, que acompanha de longe os jogos de Brasília, o sentimento é de que as cartas já estão sempre marcadas. O governo, com sua vasta máquina, dita as regras, e o resultado final é quase sempre uma pizza. Mas, desta vez, a realidade se impôs à narrativa. O que se viu foi um governo desmobilizado, confiante demais em sua própria força, ser surpreendido por uma oposição que, finalmente, parece ter aprendido a jogar xadrez em um tabuleiro onde antes só movia as peças de forma barulhenta e previsível.

A "abordagem tradicional" para comissões como esta é conhecida: o Planalto escala seus aliados mais fiéis, os chamados "chapas-brancas", para a presidência e relatoria, garantindo que qualquer investigação mais profunda seja neutralizada. A narrativa oficial, que seria vendida à população, era a de que "as instituições estão funcionando", enquanto, nos bastidores, o objetivo real seria proteger o governo e seus interesses. Nomes como Omar Aziz e Ricardo Aires, embora se digam de centro, são figuras carimbadas no círculo do poder, amigos íntimos de Lula. Com eles no comando, a chance de nomes como o do irmão do presidente serem convocados para depor seria nula. Essa era a crônica de uma investigação com morte anunciada, um teatro montado para o público.

A narrativa predominante, muitas vezes ecoada sem qualquer senso crítico, é a de que a oposição é despreparada, ingênua e limitada a fazer barulho nas redes sociais. Diante da derrota, a máquina governista rapidamente encontrou seu "vilão conveniente": o líder do governo, Randolf Rodrigues. A culpa, segundo eles, foi de seu atraso. Essa é a "lógica da conveniência", uma tentativa primária de personalizar um fracasso que é, na verdade, sistêmico. Eles preferem sacrificar um de seus peões a admitir que a estratégia inteira ruiu por excesso de confiança.

Aqui, a lógica do bom senso implora por passagem e nos obriga a fazer algumas perguntas. Como um governo que se gaba de sua articulação política permite que uma comissão tão sensível fuja de seu controle? Acharam mesmo que a direita, depois de anos apanhando, não aprenderia a operar dentro das regras do Congresso? Será que o problema foi apenas o atraso de um senador ou foi a soberba de uma base inteira que já cantava vitória e resolveu "tomar um café mais tarde"? O que diz sobre a organização do governo o fato de terem sido surpreendidos por uma tática tão fundamental quanto chegar na hora e votar em bloco? A verdade é que eles não perderam para uma jogada de mestre mirabolante; eles perderam para a organização e para a própria displicência.

A tese central que emerge deste episódio é clara e direta: a derrota do governo não foi um acidente, mas um sintoma de sua desconexão com a realidade do jogo político. O verdadeiro inimigo não foi o relógio de Randolf, mas a soberba de acreditar na própria invencibilidade. Eles subestimaram uma oposição que, liderada por nomes como Sóstenes Cavalcante e Rogério Marinho, trocou o megafone pela calculadora. Eles agiram na calada da noite, contando voto a voto, e entenderam que, para vencer em Brasília, é preciso estratégia, disciplina e unidade.

A solução, portanto, não está em discursos mais inflamados, mas em ações mais inteligentes. A oposição aplicou os princípios da Estratégia Silenciosa e da Disciplina Coletiva. A analogia é simples: foi uma partida de xadrez. O governo, achando que jogava damas, moveu suas peças de forma óbvia e barulhenta. A oposição, em silêncio, preparou o tabuleiro e executou um xeque-mate quando a guarda do adversário estava baixa. Eles provaram que, no Congresso, a força não vem do grito, mas do voto contado e da presença no momento certo.

Fica aqui uma convocação não para as ruas, mas para uma revolução mental. É hora de o cidadão brasileiro rejeitar as narrativas simplistas e começar a valorizar a inteligência estratégica sobre o barulho político. Essa vitória da oposição, por menor que pareça, é a prova de que nenhuma força política é invencível e que a organização pode, sim, derrotar a arrogância. É preciso questionar, analisar e, acima de tudo, não acreditar quando dizem que o jogo já está ganho.

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