A intimação formal do ministro Alexandre de Moraes pela
Justiça da Flórida chegou ao Brasil através de carta rogatória, e a primeira
reação das autoridades brasileiras foi decretar sigilo total sobre o caso. Essa
resposta revela mais do que qualquer defesa poderia esconder: o desespero de
quem sabe que as ações tomadas contra empresas americanas foram completamente
irregulares e agora precisam enfrentar as consequências em um tribunal onde não
controlam as regras do jogo.[1][2][3][4]
O cidadão brasileiro acompanha há meses a escalada
autoritária que transformou decisões judiciais em instrumentos de perseguição
política, mas desta vez a situação ganhou contornos internacionais que expõem a
fragilidade de um sistema acostumado a agir sem contestação. Quando empresas
americanas como Rumble e Trump Media receberam ordens por e-mail – sim, por
simples e-mail – para censurar perfis e entregar dados de usuários residentes
nos Estados Unidos, ficou claro que as fronteiras da lei foram completamente
ignoradas.[2][5][6][7][8][1]
A Narrativa da "Soberania
Judicial" Desmorona
Durante meses, a narrativa oficial tentou justificar essas
ações como exercício legítimo da soberania judicial brasileira. Criou-se o mito
de que plataformas digitais deveriam se submeter automaticamente a qualquer
ordem emanada do judiciário nacional, independentemente de sua legalidade ou
dos procedimentos internacionais adequados. Essa "lógica da
conveniência" transformou tratados internacionais em meros papéis
decorativos e procedimentos diplomáticos em obstáculos burocráticos.[1][2][5][9][10][11]
Mas como justificar que um ministro do STF simplesmente
ignore tratados bilaterais de cooperação jurídica e envie ordens diretas por
e-mail a empresas estrangeiras? Como explicar que, quando essas mesmas empresas
seguem os procedimentos corretos – usando carta rogatória, passando pelos
ministérios competentes, respeitando os canais diplomáticos – a reação seja
decretar sigilo e tentar esconder o processo?[3][4][12]
As perguntas se multiplicam quando confrontamos a realidade:
se as ações foram legítimas, por que o medo da transparência? Se os
procedimentos estavam corretos, por que não usar os mesmos canais oficiais que
as empresas americanas utilizaram agora? Se existe respaldo legal, por que a
primeira reação foi blindar o caso com sigilo?[8][12][3]
O Teste da Reciprocidade Expõe a
Hipocrisia
A chegada da carta rogatória ao STJ criou um dilema
impossível para o sistema. Herman Benjamin, presidente da corte, agora precisa
decidir se o Brasil vai honrar os mesmos tratados internacionais que nossos
tribunais esperam que outros países respeitem. A ironia é gritante: enquanto o
Brasil rotineiramente solicita cooperação jurídica internacional para citar
brasileiros no exterior, agora hesita em conceder o mesmo tratamento a uma
solicitação americana perfeitamente legal.[3][13][9][10][14][15]
O verdadeiro problema não é a citação em si – que é apenas
um aviso formal de que existe um processo. O problema é que aceitar essa
citação significa reconhecer que Alexandre de Moraes terá que explicar suas
ações em um tribunal onde não pode controlar juízes, manipular prazos ou
invocar poderes discricionários. Um ambiente onde prevalece aquilo que chamamos
de "Estado de Direito", conceito aparentemente estranho ao atual
sistema brasileiro.[6][8][12]
A Solução Está na Lógica do Bom Senso
A carta rogatória funciona exatamente como deveria:
respeitando soberanias, seguindo protocolos, permitindo defesa ampla. É assim
que países civilizados se comunicam juridicamente. É assim que o próprio
Alexandre de Moraes deveria ter agido desde o início, se realmente acreditasse
na legalidade de suas ordens.[1][5][9][10][16][14]
A analogia é simples: imagine que um juiz brasileiro queira
processar um americano nos EUA e, em vez de seguir os procedimentos
diplomáticos, simplesmente envie um e-mail. A reação americana seria exatamente
a mesma: ignorar completamente a tentativa e, se necessário, processar o juiz
por tentar exercer jurisdição ilegal em território estrangeiro.[2][7][17]
O precedente agora está criado. Se o STJ recusar essa
citação legítima, estará sinalizando para o mundo que o Brasil rompeu com as
normas básicas de cooperação jurídica internacional. As consequências podem
incluir desde a exclusão do Brasil de sistemas de cooperação judicial até
sanções diplomáticas diretas.[3][4][8][12][1]
A Hora da Verdade Chegou
O sigilo decretado por Herman Benjamin não esconderá o
óbvio: Alexandre de Moraes agiu fora dos limites legais e agora precisa
responder por isso. A tentativa de transformar o STJ em escudo protetor apenas
confirma que sabem da irregularidade das ações. Países sérios não operam dessa
forma.[3][4][13]
O Brasil está diante de uma escolha simples: seguir as
regras internacionais que sempre exigiu que outros respeitassem, ou assumir
publicamente que nosso sistema judicial está acima da lei internacional. Não há
meio termo nesta decisão.[8][12][15]
A revolução mental necessária é reconhecer que poder sem
limites não é justiça – é tirania. E tirania, felizmente, não tem lugar no
mundo civilizado.
⁂
![]()
1.
https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2025/07/08/moraes-intimado-justica-dos-eua.htm
2.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/cyvep11qd6po
3.
https://www.gazetadopovo.com.br/republica/stj-decreta-sigilo-sobre-notificacao-de-acao-contra-moraes-nos-eua/
4.
https://oantagonista.com.br/brasil/stj-impoe-sigilo-a-notificacao-dos-eua-para-intimar-moraes/
5.
https://www.cnnbrasil.com.br/politica/entenda-o-embate-entre-alexandre-de-moraes-e-o-rumble/
6.
https://www.cnnbrasil.com.br/politica/stj-recebe-notificacao-do-rumble-para-intimar-moraes-em-acao-nos-eua/
7.
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2025/07/14/empresa-de-trump-e-rumble-acionam-justica-dos-eua-contra-decisao-de-moraes.ghtml
8.
https://www.cartacapital.com.br/justica/stj-recebe-pedido-para-intimar-moraes-em-acao-movida-pelo-rumble-e-empresa-de-trump/
9.
https://juridico.ai/juridico/carta-rogatoria/
10.
https://advbox.com.br/blog/carta-rogatoria/
11.
https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2025/07/08/disputa-entre-moraes-e-rumble.htm
12.
https://www.gov.br/agu/pt-br/comunicacao/noticias/tribunal-dos-eua-nega-liminar-contra-o-ministro-alexandre-de-moraes
13.
https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2024-08/ministro-herman-benjamim-toma-posse-no-cargo-de-presidente-do-stj
14.
https://www.tjsp.jus.br/UtilidadePublica/UtilidadePublica/CartasRogatorias
15.
https://www.tjmg.jus.br/portal-tjmg/noticias/ministro-herman-benjamin-toma-posse-como-presidente-do-stj.htm
16.
https://www.migalhas.com.br/quentes/434628/moraes-ordena-bloqueio-de-conta-rumble-nega-e-aciona-justica-dos-eua
17.
https://noticias.uol.com.br/colunas/mariana-sanches/2025/07/14/rumble-e-truth-social-veem-ordem-de-moraes-como-resposta-direta-a-trump.htm
18.
https://g1.globo.com/politica/noticia/2025/08/16/stj-recebe-pedido-para-intimar-moraes-sobre-processo-contra-ele-nos-eua.ghtml
19.
https://www.youtube.com/watch?v=ir2uiNuTkXo
20. https://istoe.com.br/stj-recebe-pedido-para-intimar-alexandre-de-moraes-em-processo-nos-eua/
21.
https://www.gazetadopovo.com.br/republica/stj-notificacao-rumble-alexandre-moraes/
22.
https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/rumble-justica-eua-contra-nova-decisao-moraes/
23.
https://www.youtube.com/watch?v=nPCoMAnbf3Q
24. https://pt.wikipedia.org/wiki/Alexandre_de_Moraes
25.
https://www.gazetasp.com.br/gazeta-mais/curiosidades/o-que-e-rumble-rede-social-que-afronta-as-decisoes-de-alexandre-de/1159296/
26. https://www.youtube.com/watch?v=rCo9A2IKF7Y
27.
https://www.enfam.jus.br/ministro-herman-benjamin-assume-a-presidencia-do-stj-e-do-cjf/
28. https://www.terra.com.br/byte/o-que-e-o-rumble-mencionado-no-documento-encontrado-pela-pf-na-casa-de-bolsonaro,2854233e3cba7665e1b0bd4d1c883662a2s602nj.html
29. https://pt.wikipedia.org/wiki/Herman_Benjamin
30. https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2024/11/14/girao-diz-que-fala-de-presidente-do-stj-e-sinal-de-mudanca-no-judiciario
31.
https://fastcompanybrasil.com/news/o-que-e-o-rumble-a-plataforma-que-entrou-na-justica-dos-eua-contra-moraes/
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